Machete: o épico "tipo B" de Robert Rodriguez

Violência, muito sangue, estonteantes mulheres nuas e o herói perfeito para ser chamado de machão. Esse é Machete, escrito e dirigido por Robert Rodriguez. Ok, Ethan Maniquis também dirigiu, e Álvaro Rodríguez também escreveu, mas ninguém liga muito pra isso. Machete é a cara de Robert Rodriguez, e ponto final.

E se você ainda não conhece Robert Rodriguez, shame on you. Com certeza você conhece Once upon a time in Mexico, Sin City, Planet terror, Shark boy e lava girl… peraí, Shark boy e lava girl? Sim, ele fez todos esses. E depois que eu descobri esse último, fiquei até com vontade de assistir, só pra saber se é tão trash quanto os outros que citei. Porque essa é a principal característica de seus filmes, o quê trash, maior em uns do que em outros. A violência escrachada é outra, com muito sangue jorrando de corpos perfurados por balas ou, no caso de Machete, mutilados a facão. E no final, tudo isso faz você rir, acredite.

Machete é um tipo de facão grande e tosco. A partir daí, não é difícil imaginar como seria um herói com esse apelido. Machete (Danny Trejo) é um “ex- federale” – policial federal mexicano – que perde tudo por ir contra o chefão do tráfico Torrez (Steven Seagal), homem contra quem nenhuma outra pessoa honesta tem coragem de lutar. Apesar de seu jeito bruto e aparência insesível, Machete é “um verdadeiro cavalheiro”, como constata a personagem de Jessica Alba, a policial Sartana. Cavalheiro e paladino da justiça, que montado em uma moto armada com uma metralhadora, persegue aqueles que destruíram sua vida.

Machete: tosco, durão, mas cavalheiro.

Anos depois, julgado morto por Torrez, Machete é contratado (mais chantageado, na verdade) para matar um candidato a reeleição para o senado americano. Entre perseguições, violentos assassinatos e a busca de Machete pelo real interesse por trás do atentado ao senador, encontra-se uma trama sobre tolerância racial e os rumos das relações entre americanos e imigrantes hispânicos, além de, acima disso tudo, uma história em que a ganância destrói vidas em ambos os lados da fronteira. Apesar de tudo ser exagerado e o tom não ser dos mais sérios, percebe-se que a crítica de Rodriguez é intensa.

A fotografia amarelada caracteriza bem a aridez do Texas, principal locação do filme. O figurino consiste em camisas xadrez para os imigrantes mexicanos, terno para os americanos e roupas apertadas e/ou curtas para as mulheres. Os personagens possuem personalidades bem marcadas, e todos passam pelas mais diferentes situações durante o filme, encontrando-se no desfecho, que é quando você percebe que tudo se encaixa. O contraste de Machete e seu facão lutando contra um Torrez de katana simboliza a luta do rude contra o sofisticado, do bruto contra o elegante. No final das contas, Machete torna-se épico. Uma grande jornada de um herói incomum, no melhor estilo “filme B” que só Robert Rodriguez sabe fazer.

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