GLOW – Gorgeous Ladies of Wrestling

 

  Série original da Netflix, GLOW é uma comédia inteligente com personagens marcantes, ambientada em um contexto e época inusitados. Com apenas dez episódios de meia hora cada, GLOW vem na medida certa para cativar e entreter sem cansar ou perder o fôlego.

Ruth Wilder (Allison Brie) é uma aspirante a atriz em dificuldades. Sem conseguir papéis, ela literalmente passa fome, e chega ao ponto em que encara a pornografia como única possibilidade real. Ruth encontra apoio na amiga Debbie Eagan (Betty Gilpin), uma atriz de novela que se aposentou para ser dona de casa e mãe.

Desesperada por qualquer coisa que se assemelhe minimamente à atuação, Ruth participa de uma audição para um programa de televisão de luta livre feminina dirigido pelo cínico Sam Sylvia (Marc Maron). Após moderado sucesso com filmes tipo B, Sam se interessa em dirigir o programa mais como uma simples oportunidade de trabalho do como um projeto com o qual ele realmente se importa.

Enquanto Ruth se esforça para impressionar Sam, Debbie descobre que foi traída pelo marido com ninguém menos do que a própria Ruth. Debbie invade o ringue para se vingar de Ruth e acaba chamando a atenção de Sam, que decide convence-la a se tornar o principal nome do programa. Ao lado de Ruth e Debbi, doze outras mulheres, cada uma com suas peculiaridades, são selecionadas para o elenco e começam a trainar os movimentos de luta livre.

A determinação e a seriedade com as quais Ruth encara o novo emprego são por vezes cativantes, por vezes constrangedoras. Para ter sucesso nesse ramo ela terá que encontrar o equilíbrio entre as recitações sérias de Gata em Teto de Zinco Quente e o exagero quase surrealista da luta livre.

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O humor de GLOW não vem de piadas evidentes, mas de um olhar crítico sobre a sociedade e dos muitos contrastes entre as personagens. A estética dos anos 80, com suas cores berrantes, maiôs asa-delta e cabelos estruturados a custa de muito laquê, proporciona o cenário ideal para um programa de luta coreografada que mistura personagens surreais em enredos novelísticos realizando movimentos muitas vezes acrobáticos. Enquanto isso, o contexto da época abre espaço para comentários em questões sociais que são relevantes ainda hoje.

A segunda temporada ainda não tem data de estreia confirmada pela Netflix, mas a primeira parte deixa a promessa de coisas boas estão por vir.

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Primeiro mataram meu pai

 

Dirigido por Angelina Jolie e baseado em uma história real, Primeiro Mataram Meu Pai é um retrato ao mesmo tempo íntimo e honesto da experiência de uma sobrevivente do genocídio cambojano da década de 70.

Loung Ung (Sareum Srey Moch) vive com os pais e os seis irmãos em Phnom Penh, capital do Camboja, quando a cidade é invadida e evacuada pelos soldados do Khmer Rouge, o partido comunista do Camboja, em 1974. Sua família junta seus pertences mais essenciais e se amontoa em uma caminhonete, tomando o mesmo rumo de outros milhares de pessoas: o interior rural do país. Na jornada, a família precisa esconder a real profissão do pai, um capitão do exército do general Lon Nol, deposto pelo Khmer Rouge, e seus bens são quase todos confiscados pelos soldados revolucionários. Isso, contudo, é só o começo das dificuldades que aguardam os Ung.

Estética

A câmera nunca se afasta de Loung por muito tempo, e quando o faz a intenção é quase sempre mostrar a dimensão dos eventos ao redor da menina, como o mar de pessoas evacuando Phnom Penh, os trabalhadores no acampamento e a batalha final contra o exército vietnamita. Com essa proximidade à pequena Loung, toda a informação é passada ao espectador sob o filtro de seu olhar infantil, recebida em pequenos fragmentos, como as crianças percebem o mundo adulto à sua volta. No início do filme, uma montagem com imagens da guerra do Vietnã, fragmentos de noticiários e discursos da época dão ao espectador o contexto dos acontecimentos, assim como o diálogo entre o pai de Loung e um colega sobre o avanço das tropas do Khmer Rouge. Após a evacuação de Phnom Penh, o filme continua com diálogos esparsos, sendo esse espaço preenchido por slogans do Khmer Rouger, que ecoam de autofalantes com uma agressividade metálica, ou são incansavelmente gritados pelos soldados.

A narrativa se concentra nas experiências da protagonista. Não se fala em Pol Pot, em Estados Unidos ou em política. O que se vê são as dificuldades e os perigos enfrentados por uma criança colocada em uma situação na qual nenhuma pessoa merece ser colocada. O silêncio de Loung e seu olhar atento às tragédias à sua volta gera um suspense incômodo no espectador, que passa o filme inteiro se perguntando se a menina vai mesmo passar a acreditar nos slogans de ódio que é ensinada a repetir, e se a violência que a cerca e as injustiças que sofre a tornarão violenta e vingativa.

A fotografia suave e o uso de lens flare remetem à inocência infantil da protagonista, que é capaz de encontrar beleza na natureza e na vida mesmo em situações extremas. A medida em que o filme progride, porém, o contraste entre a natureza idílica e as condições precárias em que Loung e sua família são obrigados a viver se transforma em uma reafirmação do estado de injustiça e precariedade da vida.

 

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            O que foi o Khmer Rouge – o extermínio de quase 25% da população Cambojana

Por não entrar em detalhes políticos e históricos que vão além da experiência direta da protagonista, Primeiro Mataram Meu Pai oferece um convite a pesquisar a história do Khmer Rouge, e não é possível realizar essa pesquisa sem se deparar com a palavra extermínio. Historiadores relatam que entre 1 e 2 milhões de pessoas (ou até 3 milhões, segundo algumas fontes) morreram entre 1975 e 1979, período em que o partido esteve no poder. Na época, a nação do Camboja girava em torno de 8 milhões de pessoas, o que significa que cerca de um quarto da população pereceu devido, principalmente, a execuções em massa e a desnutrição, no que ficou conhecido como o genocídio cambojano.

O Khmer Rouge, liderado por Pol Pot, tinha como objetivo transformar o Camboja em uma utopia agrária. Para isso, as cidades foram esvaziadas e a população levada ao campo, onde fazendas coletivas foram criadas. Pessoas com qualquer nível de educação superior, como médicos, advogados, engenheiros, e qualquer um que pudesse ser considerado intelectual ou membro da elite capitalista, foram executados. No expurgo realizado pelos revolucionários, famílias inteiras foram executadas para evitar que as crianças, quando crescessem, viessem a vingar as mortes dos pais.

O Khmer Rouge rejeitava tanto aquilo que viam como estilo de vida ocidental que até mesmo remédios vindos do ocidente e óculos de grau foram banidos. As fazendas coletivas logo se transformaram em campos de trabalho forçado aonde fome, doenças e mortes por exaustão eram problemas recorrentes.

O cenário da Guerra Fria não ajudou a população cambojana. Em guerra com o Vietnã, os Estados Unidos cruzaram a fronteira do país com o Camboja, uma nação neutra no conflito, por vezes bombardeando áreas cambojanas e matando civis. Isso contribuiu para o sentimento anti-ocidental de grande parte da população, que acabou vendo no Khmer Rouge e sua promessa de um novo Camboja uma terceira alternativa mais atrativa do que a dicotomia de Vietnamitas e Americanos.

O Khmer Rouge saiu do poder em 1979, mas o partido continuou ativo até 1999. Devido ao extermínio de uma parcela tão grande da população, à muitos dos sobreviventes terem adquirido estresse pós-traumático, e à falta de profissionais qualificados – executados pelos revolucionários -, o Camboja sofre até hoje as consequências sociais e econômicas dessa época tão sombria de sua história.

Paralelo com 1984

Primeiro mataram meu pai é uma narrativa real, mas o paralelo com 1984 é evidente, e mais uma vez a precisão com a qual a obra fictícia de George Orwell se encaixa com a realidade é assustadora.

Publicado em 1949, 1984 descreve uma sociedade em que a individualidade é abolida. Todos se vestem igual e chamam-se uns aos outros de “camaradas”. O Partido comanda a sociedade por meio do controle do pensamento, tanto que pensar por conta próprio é uma ofensa denominada crimeideia. Uma das estratégias do Partido para o domínio de mentes e emoções são os Dois Minutos de Ódio, que consistem em reunir a população em sessões mandatórias de xingamentos e demonstrações de ódio ao inimigo oficial do Partido, Goldstein. O Partido é também vigilante, utilizando-se não apenas de câmeras e microfones, mas também do monitoramento de um cidadão sobre o outro. Denuncias a crimes contra o Partido são encorajadas e premiadas, e pessoas são presas com base no simples testemunho de um vizinho, sem investigações ou apresentação de provas.

No Camboja de Pol Pot todos eram obrigados a tingirem suas roupas de preto e a usarem o mesmo lenço vermelho. A individualidade é abolida e todos se tornam “camaradas”, sendo incentivados a “desenvolverem um pensamento revolucionário”. Como o filme retrata, tanto nos campos de trabalho forçado quanto – se não principalmente – nos campos de treinamento de soldados, a população é reunida e incentivada a gritar slogans de ódio aos vietnamitas. Denúncias a crimes contra Angkar (o Governo) são incentivadas, e a máxima: “é melhor errar e matar um inocente do que deixar um inimigo vivo” ecoa dos autofalantes nos campos de trabalho.

O regime de Pol Pot não foi o primeiro nem o último autodeclarado comunista a tentar reestruturar o pensamento da população à força. Em Primeiro mataram meu pai vemos os soldados do Khmer Rouge – muitos deles jovens mal saídos da infância – proclamando seu fervor revolucionário, intolerantes a qualquer desvio à doutrina do Partido e muitas vezes imunes ao sofrimento do próximo.

Em um ano em que se comemora os cem anos da Revolução Comunista na Rússia, é irresponsável deixar passar a oportunidade de se reavaliar a doutrina que serviu de base para um regime como o de Pol Pot no Camboja.

Histórias de Amor

 

Escrito, dirigido e estrelado por Josh Radnor, Histórias de Amor (Liberal Arts), 2012, traz o ator de How I Met Your Mother em um papel não muito diferente de Ted Mosby, mas com menos risadas e mais reflexão filosófica.

Enredo

Jesse (Josh Radnor) é um funcionário administrativo de uma universidade em Nova Iorque. Entre um emprego entediante e uma vida pessoal solitária e sem emoção, Jesse é mais um homem perdido na cidade grande. Quando um antigo professor da faculdade o convida para seu jantar de aposentadoria, Jesse decide visitar sua alma mater em Ohio, onde nostalgia não é a única coisa que encontra. Lá ele conhece Zibby (Elizabeth Olsen), uma aluna empolgada com a universidade, mas frustrada com a imaturidade dos garotos da sua idade. Os dois começam uma amizade impulsionada por música clássica e troca de cartas, permeada por uma atração mútua.

Enquanto Radnor parece se esforçar demais para inserir em seu roteiro uma camada filosófica e uma profundidade por vezes forçada, é refrescante ver o filme levantar questões morais que vem sido esquecidas na cultura ultimamente. A mais relevante é a diferença de idade entre os protagonistas. Radnor deixa bem claro em uma cena que literalmente se resume a “se não entendeu, eu desenho”, que Jesse é dezesseis anos mais velho que Zibby. Ele calcula, escrevendo em um caderno, quantos anos ela tinha quando ele tinha 19, e quantos anos ela terá quando ele chegar aos cinquenta. É quando Jesse chega à oposição entre os 71 anos dela com os 87 dele que a diferença finalmente parece, se não irrelevante, ao menos superável, e então a relativização moral entra em cena. De fato, 71 para 87 não parece muito no papel, mas essa projeção do que seria o futuro não muda o fato de que hoje ele tem 35 e ela 19, como Jesse logo se dá conta.

Se o relacionamento dos dois parecia perfeito enquanto se resumia à troca de correspondências, pessoalmente a química não é a mesma. Entre discussões sobre romances com vampiros e sobre os méritos de ler uma obra por prazer ou por sua qualidade, os dois descobrem que se conectam melhor a centenas de quilômetros de distância do que sentados frente à frente.

Paralelo ao relacionamento com Zibby, Jesse encontra sua ex-professora favorita, Judith (Allison Janney), e com ela os papéis se invertem. Agora é Judith que é pelo menos 15 anos mais velha do que Jesse, e ao contrário dele, ela é mais do que capaz de ignorar a diferença. Afinal, na matemática de Jesse, não era dos 35 para os 50 que a diferença começava a não parecer mais tão assustadora?

Fora do epicentro dos relacionamentos de Jesse com essas duas mulheres tão distintas, os outros elementos do roteiro – o ex-professor aprendendo a lidar com a aposentadoria e o estudante depressivo -, ficam soltos, e em certos momentos, sem sentido.

Direção e performances

Por trás das câmeras, Josh Radnor se mostra um diretor competente, apesar de não excepcional. Em muitas cenas fica claro aonde o filme quer chegar, mas o que se vê na tela não corresponde à intenção. Ainda assim, ele acerta no tom do filme, deixando-o leve sem cair na tentação de se levar à sério demais.

Entre o elenco, Elizabeth Olsen é uma das grandes promessas de sua geração. Histórias de Amor foi um dos primeiros filmes em que atuou, mas já é possível ver sua capacidade de trazer sutileza e delicadeza a um personagem. Allison Janney, que interpreta a cínica professora Judith, é sempre genial, e vê-la em qualquer papel, mesmo que pequeno, é um mais do que bem-vindo bônus. Quanto à Josh Radnor, é difícil desassociá-lo à figura de Ted Mosby, mas também não se pode negar que o ator tem o perfil certo para encarnar personagens sonhadores e românticos.

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Elizabeth Olsen e Josh Radnor em Histórias de Amor

No fim das contas, Histórias de Amor é um filme que vale a pena para quem está buscando algo leve, mas fora do comum sem ser alternativo demais.

What happened with Masters of Sex?

Careful: this text contains more spoilers than my average review.

Ok, I know I’m a bit late for this one, but I’m still trying to process what was this second season of Masters of Sex and I’m not sure what to think. A show that I absolutely loved has turned into something that when it wasn’t tedious, it was straight out annoying.

The first season was a triumph in including interesting, engaging and intelligent plots into a story about sex that could have easily become no more than an excuse for naked bodies on prime time otherwise. Season one showed us real dramas of real people connected to a historical background that made us see how our mentality as a society has not evolved as much as we would like to believe. Season two had Bill and Virginia having sex.

I never thought the chemistry between Michael Sheen and Lizzy Caplan as Dr. Masters and Virginia Johnson was that great to begin with, but in this second season it just seemed to grow weaker by the episode, despite of them both being amazing actors on their own. When the characters first got together I had hope they might break up, but this is not Reign, historical accuracy actually matters to these people and History tells us that Masters and Johnson eventually get married (what, haven’t you wikipedia them yet?), and that’s a tough one to swallow. With that bleak destination in sight, it’s hard to expect nice things on the road.

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Michael Sheen and Lizzy Caplan as Masters and Johnson

To be fair, the first half of the season was very good. Virginia and Bill’s struggles to keep their careers on track and maintain the respect of their peers after the presentation of the study was badly received seemed like a great beginning. The first three or four episodes, which included the stories of the baby with ambiguous genitalia and the girl who could not control her sexual urges, were compelling to watch. For a moment I was sure that Masters of Sex would become closer to a procedural, with a new case every week to serve as a background to the development of the main characters, and that might have been a nicer alternative to what we actually got on the season’s second half.

As Virginia and Bill’s encounters got more and more awkward, all hopes fell on the sub-plots. Dr. Masters working at a Negro hospital in times of extreme segregation in the US? That might be interesting — an episode latter, he doesn’t even work there anymore and we are set on a couple of years ellipsis. He decides to go on a independent venture and open his own clinic, rent is high and he is in on the verge of bankruptcy. Ok, now something might happen and — another couple of years ellipsis, everything is fine, now Masters is the landlord. Time just flies by, does it not? Yet strangely, Virginia’s kids stay always the same age.

While Virginia and Bill still use “work” as a synonym for “love”, and Bill still insist that he is a happily married man, this thing that they have between them will be forever awkward. Master’s of Sex’s second season wasn’t all bad, not at all, but it definitely lost a lot of its power while dwelling on Masters’ obsession with his own penis and his refusal to look an inch beyond it. Yes, characters are more interesting when they have some ambiguity, some contradictions between what they say and do, however, Virginia repeating to herself the lie that to screw her boss is to help his marriage is pathetic at best. She is way smarter than that, I mean, C’MON! 

Most engaging plot-points of the season: Betty; Dr. Masters fighting ignorance and prejudice to help the baby, the girl and other patients (he might have one decent bone in his body after all. A bone that completely disappears on the season’s second half); Call-O-Metric’s inventor and boss Flo Packer; the relationship between Libby Masters and Coral, and Libby finally having some fun with Robert; Betty; Lester and Barbara; Virginia learning she can’t have it all and, of course, Betty.

Most disappointing elements of the season: the ellipsis, no more Allison Janney, Bill Master’s endless obsession with himself.

Since ellipsis seems to be a favorite of the producers now, I have a request for the third season: can we please just skip to when Masters and Johnson get divorced? (Oh, just wikipedia them already, goddamn it).

My new guilty pleasure: Reign

Reign fits perfectly into the guilty pleasure category. The series embraces its historical inaccuracies as a style rather than a defect, stands proudly by it’s silly plots and has the grace of not taking itself too seriously.

The series, currently in its second season, is centered in the figure of Mary Stuart, who spent a significant part of her life in France, was betrothed and subsequently married to Francis II. Historical accuracy is not interesting for a series that intends take this theme and make it into a teenage/ young-adult drama in the moldes of Gossip Girl and Pretty Little Liars. Mary was barely fifteen when she married fourteen year-old Francis, and luck was not on their side since Francis died less than two years after their wedding. Not exactly The Tudors material either, thankfully.

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Adelaide Kane as Mary (right) and her ladies-in-waiting

Reign allies silly entertainment with darker topics, such as the intrigues and betrayals of life in court and how the struggle for power can convert well-intentioned leaders into backstabbing  son’s of Queens. Mary, played by Adelaide Kane, is a compelling character. Her gradual lost of innocence before the intrigues of the French court and her struggle to remain just and loving to her people despite having to order murders and other gruesome affairs is touching. Kane plays her character’s transitions with sufficient competence to convince.

The character who steals the show, however, is indisputably Queen Catherine. Actress Megan Follows is not afraid to take her character to the next level. Catherine is sarcastic, over-dramatic and flamboyant, but realistic and serious enough when she must. She is one of the few actually well-developed characters of the show, and when she is not whining to Nostradamus about her fears of losing her son, the writing for her is great. One of her most memorable moments happens on the first season, when the she runs up and down the castle working as a busy bee on… her execution, which she plans to make into a grand and luxurious spectacle. Too bad Anne Boleyn didn’t have the same privilege, but even if she did, I bet Catherine would have found a way to surpass her.

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Megan Follows as Queen Catherine

The modern soundtrack, sweet and sticky, is filled with indie and folk rock by the likes of The Lumineers and Twin Forks. The music is an important element with which Reign dissociates from its period piece aspect, and so it’s the costume design. Most of the clothes are stunning, but not exactly what sixteen-century people would wear. The costume design department takes inspiration from the period, subtracts a great deal of historical accuracy and adds a touch of glamour and boho-chicness. The result is a wardrobe that, despite not being wearable on a daily basis and not as nearly as enviable as anything we might have seen on Gossip Girl, is usually better than some of the wacky combinations that appear on other shows that target the same audience.

If you are ready to accept Reign as it is: a teenage drama that portrays a stylized, or better, a parallel universe kind of Medieval France, than you are headed for a good time. If you can’t handle historical inaccuracies, go watch some The Tudors DVDs or a History Channel documentary and leave us alone to admire the good bits of fashion Mary wears and laugh at Catherine’s sarcasm in peace. 

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American Horror Story: o que passou e o que está por vir

American Horror Story: o que passou e o que está por vir

American Horror Story estreou com grande sucesso em 2011. A série possui uma temática geral (histórias de terror) e mesmo elenco central, mas tem cenários e enredos completamente diferentes a cada temporada.

A primeira temporada, Murder House, nos apresentou a um elenco genial vivendo personagens complexos e bem elaborados. Em Asylum, tivemos o prazer de rever alguns dos grandes atores de quem ficamos fãs em papéis fortes, tendo como cenário um asilo para doentes mentais em que os diretores são mais alterados do que os pacientes. A temporada mais recente, Coven, mostrou como as bruxas vivem em nossa sociedade. A próxima temporada estréia nesta Quarta-Feira, dia 8, nos EUA com o tema Freakshow

1ª Temporada: Murder House

Uma família em crise se muda para uma mansão em Los Angeles. A casa é uma barganha porque foi o cenário de um assassinato seguido de suicídio, porém a informação não assusta os Hamilton, que se instalam no que parece o cenário ideal para o recomeço de que eles tanto necessitam. Aos poucos, porém, eles descobrem que a casa abriga uma série de mistérios e possui mais habitantes do que eles imaginam.

O aspecto mais interessante dessa primeira temporada – que segue como importante elemento da série nas temporadas seguintes – é o aspecto humano dado ao sobrenatural. Fantasmas e demônios à parte, os problemas são em grande parte causados por transtornos, angústias e limitações humanas. Todos os personagens são densos e complexos, e apesar dos momentos de terror, são seus dramas pessoais que fisgam o espectador. Destaque para Jessica Lange, que se tornou o ícone de American Horror Story, e Frances Conroy.

2ª Temporada: Asylum

Em Asylum, Jessica Lange é irmã Jude, uma ex-cantora de bar que se torna freira após causar um trágico acidente. Irmã Jude tem como sonho transformar o sanatório Briarcliff em uma instituição de ponta no tratamento de doenças mentais. Seus reais motivos, contudo, são movidos por egoísmo e vaidade. Ela não entende nada de tratamento psiquiátrico, recorrendo mais a castigos físicos do que a qualquer tipo de terapia meramente eficiente em seus pacientes. Quando a jornalista Lana Winters (Sarah Paulson) testemunha as condições desumanas do sanatório e ameaça denunciar a instituição e seus diretores, irmã Jude a prende em Briarcliff.

A visão de um sanatório como um lugar sombrio onde a crueldade para com os pacientes é rotina acaba sendo um pouco clichê. Mas American Horror Story não para nos clichês do preconceito contra doentes mentais, os produtores acharam interessante adicionar demônios, nazistas e até mesmo aliens ao enredo para sacudir um pouco as coisas, o que por vezes passa a sensação de que há coisa demais aonde não cabe. O terror se torna mais físico nessa temporada, e como conseqüência de tudo isso os primeiros seis ou sete episódios são especialmente perturbadores.

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Mais uma vez, o elenco se supera. Destaque para Lily Rabe como irmã Mary Eunice, e para Zachary Quinto como Dr. Oliver Thredson.

3ª Temporada: Coven

Em Coven o cenário é uma irmandade de bruxas disfarçada de internato para garotas em New Orleans. As descendentes de Salem, como elas se identificam, estão à beira da extinção. A irmandade está enfraquecida e abandonada, atacada por todos os lados, por caçadores de bruxas, pelas Voodoos (grupo de bruxas rivais), e até mesmo por membros da própria irmandade.

Apesar da aclamação da crítica americana, muitos fãs reclamaram da temporada, considerando-a fraca em comparação a suas predecessoras, e não é difícil entender os motivos. Nenhum personagem parece ter seu potencial totalmente desenvolvido, os assuntos, em especial o racismo, personificado na relação entre Madame LaLaurie (Kathy Bates) e Queenie (Gaubourey Sidibe), não são levados a fundo. Um dos poderes das bruxas é o de reviver os mortos, o que acaba criando um jogo de vivo e morto por vezes cansativo. Os efeitos especiais também ficaram ruins e preguiçosos.

Coven é uma temporada divertida – por vezes mais cômica do que assustadora – e o elenco, como sempre, faz tudo valer a pena. Os problemas de roteiro e produção, contudo, deixam dúvidas quanto a qualidade  da próxima temporada. Considerando que o produtor Ryan Murphy diz já estar preparando a temporada de número cinco, fica óbvio que a confiança dele não se abala por qualquer reclamação dos fãs. Também, com mais de vinte nomeações ao Emmy para dar um apoio moral a confiança de qualquer um fica nas alturas.

4ª Temporada: Freak Show

A quarta temporada estréia em 8 de Outubro nos Estados Unidos, e terá Jessica Lange como uma alemã que coordena um dos últimos shows de horrores do mundo, e Sarah Paulson como gêmeas siamesas. Evan Peters, Kathy Bates, Emma Roberts e Angela Basset também retornarão à série.

Para Freak Show nos resta esperar que os problemas de Coven sejam corrigidos, e que a série continue a nos fornecer mais do que arrepios, mas também as histórias humanas que a fizeram tão cativantes desde a primeira temporada.

Bering: Balance and Resistance – Ambulante at USC day #2

Bering: Balance and Resistance is the first documentary feature directed by the Mexican photographer and video artist Lourdes Grobet. Its theme is the life of the Inuit at the american side of the Bering strait.

Filled with powerful images that reflect the sensitivity of its director, Bering is specially competent on bringing its public closer to its subjects. There is beauty in the ice covered landscapes of the Arctic, but there are also challenges.

bering poster

Watching Bering brings another documentary about the Inuit of the Arctic to mind: Nanook of the north. Filmed in 1922 by Robert J. Flaherty, it centers in the life of Nanook, an Inuit man from the Canadian Arctic and his family. Nanook was one of the first documentaries ever made, and its genre is still questioned to this day due to the fact that a couple of its scenes were staged. Still, it was an important documentation on how the Inuit lived 90 years ago, with no electricity, wearing clothes made of animal fur and surviving with subsistence hunting. The Inuit of Bering at the present day have electricity and heaters, wear clothes made at factories and buy coca-cola at their local grocery store. They still hunt, but now they have guns and motor boats. Their greatest struggles are not how to get food or stay warm, but how to preserve their culture while still finding their place in the modern world.

Two scenes on both Bering and Nanook can be paralleled. In the first, two men come back from a hunting trip to the ocean where they caught a walrus. Those who are near come to help bring the animal to the shore, a task that requires strength and coordination. Once they achieve their goal, the director makes a cut, and in the next scene we see the snow tinted red by the walrus’ blood. In Nanook, we see the capture of an immense seal, one that requires about as many men to retrieve as the walrus of Bering. However, in Nanook the director does not spare its public of the most crude and real moments of the Inuit life and shows the skinning of the animal, an image that, even in black-and-white and lower definition, is still gut turning.

While Flaherty patronizes his subjects, Grobet values them and give them their space to be true to who they are. The contact of the white men with the Inuit began about about a century ago, and it’s interesting to see it that generated, especially at Bering, a place that was once dominated by the Russians and later bought by the Americans with no consultation whatsoever of the desire of its native population. In the movie, a lot of them express the sense of being disregarded and carried by the flow.

Bering it’s a beautiful and touching documentary in itself, but knowing how the Inuit have been portrayed by other directors in the past gives the public a sense of perspective that can only foster their understanding of the matter.