Saldo do Oscar e comentários

Acertei 14 de 24 categorias. Ainda bem que não apostei em nenhum bolão, teria me dado mal. 
Não imaginava que 12 Anos de Escravidão venceria a categoria de melhor filme, nem que Lupita Nyong’o seria premiada como melhor atriz coadjuvante. Como não assisti ao filme, baseei meus palpites nos comentários da imprensa americana. Não torcia por Jennifer Lawrence como premiada, mas imaginava ser um resultado possível com base no “buzz” da mídia. Não deu Jennifer, ainda bem. Por melhor atriz que seja, não se pode prever os efeitos de um segundo Oscar tão próximo ao primeiro no ego já inflado da jovem. 
Não assisti a muita coisa da cerimônia, mas o suficiente para ver que Ellen DeGeneres é uma apresentadora muito mais adequada do que Seth McFarlene. Como todo o ano, as piadas e gags cômicas dos apresentadores do Oscar são minunciosamente avaliados pela imprensa. Nos últimos anos, avaliações positivas tem sido cada vez mais raras. Os apresentadores do Oscar ou são taxados de sem-graça, ou de ofensivos e sem tato. A verdade é que é uma pena que tenham a obrigação de fazer graça para cativar os expectadores e gerar audiência para a televisão. Não há nada de errado em uma cerimônia sóbria e elegante, mas a audiência, especialmente a americana, parece incapaz de prestar atenção em algo que não a faça rir, premissa que coloca os mestres de cerimônia em uma situação muito difícil. 
Argumenta-se que a falta de aceitação pública dos apresentadores do Oscar se deve à falta de talento, afinal, Amy Poehler e Tina Fey conseguem  no Globo de Ouro, e Neil Patrick Harris consegue nos Tonys. Por que com o Oscar é tão difícil? 
Em parte, porque espera-se que o Oscar gere uma audiência muito maior do que o Globo de Ouro. Esse ano, os dois bateram seus respectivos recordes de espectadores dos últimos dez anos. Enquanto o Globo de Ouro teve 20,9 milhões de espectadores, o Oscar bateu a marca de 43 milhões, mais do que o dobro. A relação é simples: mais espectadores = mais exigência. E o medo de pisar do calo de alguém também é dobrado.
E em parte… ah, um pouco de talento e mais capricho na redação nunca é demais. 

Palpitando – Vencedores do Oscar 2014

Nunca me arrisquei a tentar prever quem seriam os vencedores do Oscar de cada ano, mas agora decidi dar a cara a tapa e ver quantas categorias consigo acertar. Em algumas horas saberemos!

Segue a lista de indicados com meu palpite em negrito.

– Melhor filme

Trapaça
Capitão Phillips
Clube de Compras Dallas
Gravidade
Ela
Nebraska
Philomena
12 Anos de Escravidão
O Lobo de Wall Street

– Melhor diretor

David O. Russell – Trapaça
Alfonso Cuarón – Gravidade
Steve McQueen – 12 Anos de Escravidão
Martin Scorsese – O Lobo de Wall Street
Alexander Payne – Nebraska

– Melhor atriz

Cate Blanchett – Blue Jasmine
Amy Adams – Trapaça
Sandra Bullock – Gravidade
Judi Dench – Philomena
Meryl Streep – Álbum de Família

– Melhor ator

Christian Bale – Trapaça
Bruce Dern – Nebraska
Leonardo DiCaprio – O Lobo de Wall Street
Chiwetel Ejiofor – 12 Anos de Escravidão
Matthew McConaughey – Clube de Compras Dallas

– Melhor ator coadjuvante

Barkhad Abdi – Capitão Phillips
Bradley Cooper – Trapaça
Michael Fassbender – 12 Anos de Escravidão
Jonah Hill – O Lobo de Wall Street
Jared Leto – Clube de Compras Dallas

– Melhor atriz coadjuvante

Sally Hawkins – Blue Jasmine
Jennifer Lawrence – Trapaça
Lupita Nyong’o – 12 Anos de Escravidão
Julia Roberts – Álbum de Família
June Squibb – Nebraska

– Melhor canção original

“Alone Yet Not Alone” – Alone Yet Not Alone
“Happy” – Meu Malvado Favorito 2
“Let it Go” – Frozen – Uma Aventura Congelante
“The Moon Song” – Ela
“Ordinary Love” – Mandela

– Melhor roteiro adaptado

Antes da Meia-Noite
Capitão Phillips
Philomena
12 Anos de Escravidão
O Lobo de Wall Street

– Melhor roteiro original

Trapaça
Blue Jasmine
Clube de Compras Dallas
Ela
Nebraska

Melhor longa de animação

Os Croods
Meu Malvado Favorito 2
Ernest & Celestine
Frozen – Uma Aventura Congelante
The Wind Rises

– Melhor documentário em longa-metragem

The Act of Killing
Cutie and the Boxer
Dirty Wars
The Square
20 Feet From Stardom

– Melhor longa estrangeiro

The Broken Circle Breakdown
A Grande Beleza
A Caça
The Missing Picture
Omar

– Melhor fotografia

O Grande Mestre
Gravidade
Inside Llewin Davis: Balada de um Homem Comum
Nebraska
Os Suspeitos

– Melhor figurino

Trapaça
O Grande Mestre
O Grande Gatsby
The Invisible Woman
12 Anos de Escravidão

– Melhor documentário em curta-metragem

CaveDigger
Facing Fear
Karama Has No Walls
The Lady in Number 6: Music Saved My Life
Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall

– Melhor montagem

Trapaça
Capitão Phillips
Clube de Compras Dallas
Gravidade
12 Anos de Escravidão

– Melhor maquiagem e cabelo

Clube de Compras Dallas
Vovô Sem-Vergonha
O Cavaleiro Solitário

– Melhor trilha sonora

A Menina que Roubava Livros
Gravidade
Ela
Philomena
Walt nos Bastidores de Mary Poppins

– Melhor design de produção

Trapaça
Gravidade
O Grande Gatsby
Ela
12 Anos de Escravidão

– Melhor animação em curta-metragem

Feral
Get a Horse!
Mr. Hublot
Possessions
Room on the Broom

– Melhor curta-metragem

Aquel No Era Yo (That Wasn’t Me)
Avant Que De Tout Perdre (Just Before Losing Everything)
Helium
Pitääkö Mun Kaikki Hoitaa? (Do I Have to Take Care of Everything?)
The Voorman Problem

– Melhor edição de som

Até o Fim
Capitão Phillips
Gravidade
O Hobbit – A Desolação de Smaug
O Grande Herói

– Melhor mixagem de som

Capitão Phillips
Gravidade
O Hobbit – A Desolação de Smaug
Inside Llewin Davis: Balada de um Homem Comum
O Grande Herói

– Melhores efeitos visuais

Gravidade
O Hobbit – A Desolação de Smaug
Homem de Ferro 3
O Cavaleiro Solitário
Star Trek – Além da Escuridão

Aquecimento pré-Oscar – Nebraska

Categorias em que concorre: Melhor Filme, Melhor Ator, Atriz Coadjuvante, Fotografia, Direção, Roteiro Original.
Como um bom filme de estrada, Nebraskanarra a jornada de um pai que busca um último legado para deixar ao seu filho, e de um filho que, ao acompanhar seu pai, descobre aspectos da vida deste que nunca pensou que existissem.

Quando Woody Grant (Bruce Dern) pensa ter ganhado um milhão de dólares em uma promoção pelo correio, ele decide sair de sua cidade em Montana e ir até Lincoln, Nebraska, buscar seu prêmio. Seu filho, David (Will Forte), preocupado com o pai e cansado de sua vida monótona, decide levá-lo até Lincoln para provar-lhe que a promoção é falsa. Os dois acabam passando por Hawthorne, Nebraska, a pequena cidade natal de Woody, onde a notícia de que ele seria milionário se espalha e gera uma repercussão fora de controle.    
Poucas coisas mexem mais com o ser humano do que o dinheiro, seja na escassez, seja na fartura. Quando há a possibilidade de tê-lo facilmente e em abundância, contudo, é que a verdadeira natureza das pessoas se revela. E aqueles que estão em volta do bem-afortunado têm a chance de provar quem realmente são: se honestos e desinteressados, ou se mesquinhos e aproveitadores.
A bela fotografia em preto-e-branco de Nebraska foca a atenção do espectador nas atuações e nos dramas dos personagens. O roteiro traz pontos de virada bem posicionados, sabendo administrar doses de drama e de comédia nos tempos certos.
Bruce Dern e June Squibb, indicados respectivamente à Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante.
Categorias em que tem mais chance: apesar de contar com um ótimo roteiro e uma boa direção, é difícil contar com Nebraska vencendo em mais do que a categoria de Melhor Fotografia. As atuações de Bruce Dern como Woody, e June Squibb como sua mulher, Kate, são dignas do prêmio, sem dúvidas, mas a Academia já parece mais inclinada a favorecer outros nomes, como Matthew McConaughery e Jennifer Lawrence.  

Aquecimento pré-Oscar – Capitão Phillips (Captain Phillips)

Categorias em que concorre: Melhor Filme, Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Edição, Edição de Som, Mixagem de Som.
Baseado em uma história real, Capitão Phillips (Captain Phillips) narra a abordagem de um navio cargueiro americano por um grupo de piratas somalis.

A primeira hora do longa lembra A raposa do mar (The Enemy Below), filme de 1957, que narra a perseguição de um navio americano a um submarino alemão durante a Segunda Guerra  Mundial. O jogo de caça e fuga entre os dois se transforma rapidamente em um jogo de xadrez náutico em que o capitão do navio americano e capitão do submarino alemão realizam movimentos estratégicos de perseguição e evasão cada vez mais complexos, um ganhando o respeito do outro por sua inteligência tática.
Em Capitão Phillips, enquanto os piratas somalis tentam se aproximar do cargueiro americano, ambos os capitães iniciam manobras de perseguição e evasão. Ao abordar o navio, o capitão somali, Muse (Barkhad Abdi), se depara com a astúcia do capitão americano, o Phillips do título (Tom Hanks). A esperança de que se desenrole um jogo de inteligência à semelhança de A raposa do mar logo morre. Afinal, trata-se de um filme em que o bom e o mal são claramente delineados e personificados. É de Tom Hanks como herói do filme que estamos falando; de um grupo de civis desarmados atacado por um grupo de bandidos munidos de fuzis. Apesar disso, existe a relação de respeito entre os dois capitães, Muse e Phillips. Respeito entre dois homens no comando, responsáveis por seu barco e seus homens, qualquer que seja a embarcação e a finalidade.
O “lado” dos somalis não é negligenciado. Na abertura do filme conhecemos o que os move à pirataria: senhores de guerra intimidam os homens de um pequeno vilarejo à beira-mar, demandando o dinheiro dos navios que passam pela costa do país. Preocupados e tensos, eles partem ao oceano armados e mascando Khat, uma planta que produz efeitos estimulantes semelhantes à anfetamina. Em tal estado de nervos e desespero, eles muitas vezes não tomam decisões sensatas.
Barkhad Abdi em cena de Capitão Phillips
A supremacia tecnológica e militar dos Estados Unidos fica em evidência. A direção firme de Paul Greengrass, contudo, consegue retratar os piratas somalis mais do que como simples bandidos, mas sem cair no simplismo de colocá-los como coitados obrigados a roubar. A hesitação do capitão Muse, muito bem interpretado pelo candidato ao Oscar Barkhad Abdi, demonstra que ele não gosta de fazer o que faz, apesar de tentar se mostrar duro e inabalável perante seus subordinados.
A edição de vídeo e o trabalho com o som conduzem o suspense e mantém a tensão no filme de forma competente. Apesar de suas mais de duas horas de duração, o filme não se mostra excessivamente longo ou cansativo, pelo contrário, é tenso e emocionante na medida certa.
Categorias em que tem mais chance: nenhuma qualidade de Capitão Phillips parece ser suficiente para fazê-lo se destacar nas categorias em que concorre. A atuação de Barkhad Abdi, apesar de boa, tem concorrentes muito fortes, como Jonah Hill, em O Lobo de Wall Street, e Jared Leto, em Clube de Compras Dallas, somente para citar alguns. A chance de que o filme saia do Dolby Theatre sem prêmios hoje a noite é muito alta. 

Aquecimento pré-oscar: Blue Jasmine

Categorias em que concorre: Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Original.
Woody Allen assume um tom dramático ao narrar a história de uma socialite nova-iorquina em decadência financeira e psicológica.

A milionária Jasmine (Cate Blanchett) perde tudo quando seu marido, Hal (Alec Baldwin), é preso por fraude pelo FBI. Tendo seus bens ou confiscados pelo governo, ou leiloados para cobrir dívidas, ela viaja à casa de sua irmã, Ginger (Sally Hawkins), em São Francisco, em busca de um recomeço.
O enredo se desenvolve a partir da alternância de cenas que retratam o passado de Jasmine em Nova Iorque e seu presente em São Francisco. Aos poucos, sua personalidade é destrinchada perante o espectador em cenas que provocam uma alternância de sentimentos entre pena e desprezo, empatia e aversão. A interpretação dedicada e visceral de Cate Blanchett traz à personagem uma dimensão humana que a faz real, mesmo quando esdrúxula. Como todo o ser humano, ela tem momentos de sensatez e de pura ilusão. Ao mesmo tempo em que tenta se reerguer e é puxada para baixo pelas dificuldades da vida, ela mesma se sabota, não abrindo mão de seus delírios de grandeza e sua compulsão por mentir. Ao final, Jasmine é mais do que a típica personagem neurótica de Woody Allen: é uma mulher doente, transtornada psicologicamente e carente de cuidados.
O contraste estabelecido entre o estilo de vida das duas irmãs chega a ser caricato. A mensagem de que simplicidade e honestidade, riqueza e mentiras são dois pares inseparáveis, ao invés de edificante, traz um chato ar de moralismo. Woody Allen acerta ao mostrar que o ser humano é complexo e multifacetado, mas  erra ao refazer o ciclo e reforçar os estereótipos do rico mesquinho, mentiroso e egoísta, e do pobre honesto, ingênuo e puro. Com o desenvolvimento do enredo, porém, é difícil conceber uma conclusão diferente.  

Cate Blanchett em Blue Jasmine
Categorias em que tem mais chance: Cate Blanchett é uma das atrizes mais cotadas ao Oscar desse ano, já tendo vencido diversos prêmios importantes pelo papel de Jasmine, entre eles o Globo de Ouro e o BAFTA.
Apesar de ser sempre um forte candidato ao prêmio de melhor roteiro original, o trabalho de Woody Allen esse ano está sendo ofuscado pelas indicações de American Hustle, Clube de Compras Dallas e Her

Aquecimento pré-Oscar – Gravidade (Gravity)

Categorias em que concorre: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Efeitos Especiais, Fotografia, Edição, Trilha Sonora Original, Design de Produção, Mixagem de Som e Edição de Som.
Com incríveis efeitos especiais aliados a uma trilha sonora e a uma montagem bem ritmadas, Alfonso Cuarón cria um thriller dramático de tirar o fôlego.
Em sua primeira missão espacial, a engenheira médica Ryan Stone (Sandra Bullock) está nervosa. Enquanto tenta instalar um aparelho a um satélite, ela luta contra os efeitos da gravidade zero, especialmente a náusea. Próximo a ela, o astronauta veterano Matt Kowalski (George Clooney) faz sua última caminhada espacial antes de se aposentar, conversando alegremente com o comando da NASA e seus companheiros de equipe. De repente, uma emergência acontece. A equipe de Kowalski recebe a notícia de que os Russos explodiram um de seus satélites e que com isso pedaços de satélite estão soltos em órbita, voando a uma velocidade incrível e acertando tudo em seu caminho. Dessa forma começa a luta dos astronautas para se protegerem e sobreviverem.
O filme se desenvolve por meio do paradoxo entre a incrível beleza do espaço – especialmente do planeta terra visto do espaço – e a agonia e o medo de uma luta pela sobrevivência em que cada segundo importa, mas que, ao mesmo tempo, pode passar por momentos de calma e desaceleração.
Ao lado dos efeitos especiais incríveis, a trilha sonora e a mixagem de som criam o clima de suspense envolvente que faz, literalmente, com que o espectador pare de respirar por alguns segundos. As alternâncias entre música, efeitos sonoros e silêncios dão ao filme um ritmo perfeito.
Sandra Bullock e George Clooney em Gravidade.
Categorias em que tem mais chance: melhor filme, melhor diretor, efeitos especiais, edição, mixagem de som e edição de som. Apesar da torcida do público mundial para que 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave) conquiste o Oscar de melhor filme, a imprensa internacional já revelou que as intenções de voto de vários membros da Academia se direciona a outros interesses. A Academia foge de temas fortes e traumáticos da história dos Estados Unidos, entre eles a escravidão. Enquanto isso, Gravidade é um filme que promove a superação e a força do espírito humano diante de adversidades, além de ser visualmente arrebatador e contar com uma edição e mixagem de som impecáveis, qualidades estas que fazem o “estilo” da Academia e costumam atrair muitos votos. 

Aquecimento pré-Oscar – Clube de compras Dallas (Dallas Buyers Club)

Categorias em que concorre: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Original, Edição de Filme, Cabelo e Maquiagem.
Inspirado na história real de Ron Woodroof, um eletricista texano diagnosticado com AIDS em 1986, Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club) apresenta como pontos altos as excelentes atuações de Matthew McConaughey e Jared Leto.

O início do filme não deixa dúvidas sobre quem é Ron Woodroof (Matthew McConaughey). Ele é visto consumindo drogas, álcool em excesso e fazendo sexo com o máximo de mulheres possíveis. Além disso, ele é evidentemente homofóbico, o que, não se pode esquecer, era atitude comum por parte de heterossexuais em 1985, época em que o filme é ambientado. Após um acidente de trabalho em que leva um choque, Ron vai parar no hospital onde é diagnosticado com HIV positivo e lhe é dada uma previsão de 30 dias para viver.
Para orientar o espectador e não deixar dúvidas quanto ao estado mental e de espírito do personagem, o filme passa a ser interrompido com cartelas com a contagem dos dias: dia 1, dia 7, dia 28. A princípio, Ron passa por estágios de negação e abatimento. Quando esses sentimentos passam, ele decide que irá buscar um jeito de viver.
Matthew McConaughery como Ron Woodroof
A princípio por egoísmo, Ron busca todo o tipo de medicamentos que ele acredita que prolongarão sua vida, mas que não são comercializáveis nos EUA por não serem regulamentados pela FDA, a agência americana de regulação de comidas e medicamentos.  Enquanto isso, uma nova droga é testada, a AZT. Apesar dos altos investimentos no medicamento, Ron percebe que ele produz efeitos positivos em poucos pacientes, e efeitos negativos em longo prazo. Com o auxílio de um médico mexicano que gerencia um hospital clandestino, Ron descobre medicamentos mais eficazes que, ao invés de tentarem eliminar o vírus, tratam os sintomas da doença, melhorando efetivamente a qualidade de vida e a longevidade dos pacientes.
A identidade de Ron muda ao passar do tempo. De machão egoísta, ele se torna quase generoso, e advoga pela causa daqueles que precisam de tratamento contra doenças terminais e se vêem com opções de medicamentos limitadas pelas regulamentações da FDA, que muitas vezes apenas servem ao interesse de grandes corporações.
AIDS e o preconceito na década de 1980
A primeira reação de Ron ao saber que tem AIDS é a indignação, a princípio, não por estar contaminado, mas por estar, em suas palavras, “sendo chamado de bicha”. Na década de 1980 a AIDS ainda era uma doença pouco conhecida, pouco estudada, e descrita na literatura médica como ocorrente principalmente em grupos homossexuais. Essa descrição contribuiu com o preconceito de que só tinha HIV quem era homossexual.
Em uma de suas idas ao hospital, Ron conhece Rayon (Jared Leto), um travesti com AIDS que participa do grupo de testes do AZT. Rayon ajuda Ron a vender seus medicamentos contrabandeados à clientela homossexual.   A amizade dos dois, bem como o crescente contato de Ron com homossexuais mina seu preconceito.
Jared Leto como Rayon
Apesar da montagem e cinematografia interessantes, o que chama a atenção em Clube de Compras Dallas são as atuações de McConaughery e Leto, nomeados respectivamente nas categorias de Melhor Ator e Ator Coadjuvante. Ambos extremamente magros, eles demonstram uma entrega tão intensa a seus personagens que são suficientes para que o filme seja atrativo e até mesmo comovente.
Categorias em que tem mais chance: é possível apostar em Clube de Compras Dallas como vencedor nas categorias de melhor ator coadjuvante e cabelo e maquiagem, mas não muito mais. O prêmio de melhor ator também é muito possível para McConaughery.