The Lego Movie

Finalmente consegui assistir a The Lego Movie, que chegou ao Brasil como Uma Aventura Lego. Após conquistar diversas criticas positivas e a marca de 96% de aprovação entre os críticos do Rotten Tomatoes, não há como negar que minha curiosidade e expectativas estavam grandes. Eu recentemente tenho descoberto, contudo, que meu tomatômetro nem sempre bate com o do site. Achei o filme divertido, ri, mas não sei se consigo considerá-lo bom, ou apenas um acumulado de bobagens surreais com algumas boas piadas. Um South Park aguado para todas as idades.
O herói do filme é Emmet, um operário de construção cujo sonho é se enturmar e ter muitos amigos, mas apesar de seguir à risca todos os guias de comportamento disponíveis, ele continua solitário. Quando Emmet fica para trás após um longo dia de trabalho, ele conhece Megaestilo, uma garota despojada que vive fora das regras e convenções da sociedade Lego.  Megaestilo busca a peça da resistência, que acaba sendo encontrada por Emmet. Assim, ele se torna O Especial, aquele destinado a salvar o mundo dos planos malignos do Presidente Negócios. 
Presidente Negócios quer que os múltiplos mundos aos quais controla sejam organizados e estáticos. Os legos do velho oeste não podem se misturar com os legos da cidade, ou com os legos do mar de piratas, e por aí em diante. Para ele, tudo o que é montado de acordo com a criatividade, e não de acordo com o manual, está errado. Emmet deve se unir aos Mestres Construtores para evitar que os mundos sejam congelados pelo maligno presidente.

Lego reflete nas telas o que o brinquedo é na realidade: uma explosão de cores primárias e vários bonequinhos de rosto amarelo e olhar simpático (a maioria). É inegável a diversão de ver todos aqueles queridos elementos de lego ganhando vida: as peças que representam fogo, a água, entre outros. 
A lição do filme, ou a “moral da história”, é muito bonitinha e excelente para o público infantil. Para os adultos, a diversão fica por conta do “bipolar” Guarda Mau (Good Cop/ Bad Cop), cuja cabeça gira e incorpora as duas faces da clássica dupla dos seriados e filmes policiais americanos. A vida de Emmet no início do filme também pode servir de tapa na cara de muita gente, já que a maior crítica que o filme faz é à conformidade e à padronização dos indivíduos.

Gostando ou não, rindo com o filme ou não, é inegável que após assisti-lo a vontade de voltar a brincar com os tijolinhos coloridos e com os bonequinhos de rosto amarelo fica quase irresistível. 

Quatro anos (ou quase) de Exercine

Não gosto de deixar o aniversário do blog passar em branco, apesar de ter deixado o ano passado inteiro passar em branco. Acho que escrever é um exercício para o qual eu nem sempre tenho inclinação ou aptidão. Foi bom ter voltado, apesar de ainda estar voltando aos poucos, pulando meses e deixando mais espaços em branco do que preenchidos. Seja como for, parabéns para o Exercine e parabéns para mim que, mesmo com todas as falhas, estou orgulhosa por finalmente poder dizer que mantenho um blog. Nenhuma das minhas outras tentativas durou tanto, e essa está longe do fim. 

Clássicos do Cinema – A Marca da Maldade

Orson Welles teve uma passagem conturbada por Hollywood. O controle dos estúdios sobre as produções podava sua criatividade, e muitas de suas inovações eram vistas como estranhas ou desnecessárias pelos executivos. Cidadão Kane (1941) foi o único filme em que o diretor gozou de liberdade criativa plena. 
Após completar A Marca da Maldade (Touch of Evil), em 1958, Welles viu sua obra mutilada pelo estúdio, que gravou cenas extras e reeditou o filme, gerando algo completamente diferente do que o diretor pretendia. Em resposta, Welles escreveu um manifesto de mais de cinquenta páginas, descrevendo todas as mudanças que deveriam ser feitas para que o filme voltasse a se encaixar em sua visão. No entanto, a versão do estúdio, que buscava ser a mais comercial possível, prevaleceu. Orson Welles foi atendido apenas quarenta anos depois, quando uma versão restaurada do filme foi feita com base em seu manifesto.

Enredo e temática

A Marca da Maldade se passa na fronteira entre México e Estados Unidos, onde duas cidades fronteiriças se mostram mais semelhantes do que se poderia imaginar. Quando uma bomba plantada em um carro em solo mexicano cruza a fronteira e explode em território estadunidense, vitimando um influente homem de negócios e sua amante, a polícia dos dois países se vê envolvida em uma investigação complicada não apenas por questões de jurisdição, mas pelos métodos e egos dos principais detetives envolvidos, Quinlan (Orson Welles), do lado americano, e Vargas (Charlton Heston), do mexicano.

Os dois detetives são famosos e respeitados em seus respectivos países. Quinlan é reconhecido por ter colocado muitos criminosos no corredor da morte, e por ter “palpites” que frequentemente o colocam na direção dos culpados. Vargas é um policial mais jovem, mas já com um impressionante histórico na divisão de narcóticos da polícia mexicana. Enquanto Quinlan é carrancudo e de aparência quase grotesca (distorcido pela maquiagem pesada de Orson Welles e pelo ângulo contra-plongée em que o personagem foi filmado), Vargas é carismático e atraente. Quinlan age acima da lei, plantando evidências e enquadrando aqueles que considera culpados antes mesmo de ter provas concretas, já Vargas age como um verdadeiro o paladino da justiça e não poderia ser mais diligente em sua busca pela verdade.

Charlton Heston como Vargas, e Orson Welles como Quinlan em A Marca da Maldade 

As atitudes e aparências dos dois não poderiam ser mais distintas, mas no fundo, ambos são mais parecidos do que gostariam de admitir. Quinlan pode agir de forma ilícita e imoral, mas o faz por perseguir uma boa causa: prender criminosos que, pelo menos em sua percepção, são culpados. Marcado profundamente pela perda de sua mulher – o único homicídio que não conseguiu resolver – e por sua luta contra o alcoolismo, Quinlan é um personagem que sufoca suas fraquezas com brutalidade e autoritarismo. Vargas, por outro lado, se deixa envolver com sua investigação ao ponto de negligenciar sua própria esposa, expondo-a ao tormento de bandidos.

Quando Vargas descobre que Quinlan planta evidências para sustentar seus famosos “palpites” e incriminar quem considera culpado, ele inicia uma busca obsessiva para provar que está certo. A partir do momento em que Vargas estabelece a dúvida sobre a integridade de Quinlan, todos os casos resolvidos pelo detetive americano ficam sob suspeita.

A tênue linha entre o certo e o errado, a dúvida justificada e o ego do justiceiro; estes são temas do filme simbolizados, inclusive, pelo ato tantas vezes repetido de cruzar a fronteira.

Cinematografia do suspense – o famoso plano seqüência de abertura

A Marca da Maldade inicia com um elaborado plano seqüência com mais de dois minutos de duração, em que vemos uma bomba sendo armada e posicionada em um carro, e o trajeto do veículo até o momento da explosão. O carro avança e é detido em diversos momentos, por um guarda de transito, por pedestres que atravessam a rua e até mesmo pela passagem de um rebanho de cabras. O casal de protagonistas, Vargas (Charlton Heston) e Susan (Janet Leigh), caminha na mesma rua, ocasionalmente se aproximando ou se afastando do carro com a bomba, alheios ao perigo. A coreografia da cena, aliada ao fato de ser um plano ininterrupto, ao som ambiente e aos diálogos, cria um clima de suspense único.

Abaixo, a cena de acordo com as especificações do diretor.

A versão original do estúdio inclui os créditos de abertura, pouco som ambiente antes do diálogo entre Vargas e os policiais na fronteira, e uma música não-diegética que distrai o espectador da ação, tudo isso contribuindo para praticamente eliminar o clima de suspense da cena. Não foi à toa que Orson Welles ficou tão irritado com a interferência do estúdio em sua criação.

Abaixo, a versão editada pelo estúdio.

A Marca da Maldade possui diversos outros elementos interessantes, como a fotografia, a escolha dos ângulos de câmera e a composição da mise-en-scène. O enredo deixa a dúvida final: estava Quinlan correto em suas acusações? Cada espectador tem suas próprias conclusões. 

Do Cinema para a TV

A relação entre cinema e televisão vem se modificando e se adaptando desde que os meios passaram a coexistir, a partir da segunda metade da década de 1930. A princípio, os estúdios cinematográficos renegaram a televisão, rotulando-a como uma novidade passageira, mas no fundo tinham receio de perder seu espaço no mercado do entretenimento. Quem gostaria de sair para ir ao cinema quando poderia ficar em casa assistindo a programação gratuita na TV? Para combater esse concorrente, os estúdios se recusaram a vender seus filmes para compor as programações dos canais. Com o tempo, a mentalidade mudou, e muitos perceberam que não apenas vender seus filmes, mas também possuir seus próprios canais, poderia ser sua salvação.
O cinema definitivamente não morreu com o advento da televisão, mas sua lucratividade certamente diminuiu. Atualmente, são raros os filmes que saem do vermelho apenas com a projeção cinematográfica; é a vida de um filme após o circuito de cinemas que o salva da bancarrota: DVDs, video on demand (VOD) e exibições na televisão. A programação dos canais televisivos, contudo, tem se tornado mais sofisticada e atraído mais público. O equilíbrio conquistado com a cooperação está mudando gradativamente, com a balança pendendo para a televisão e com o cinema sofrendo sua maior ameaça desde a invenção desta.
Mudança de padrões e de comportamento
Diversos fatores podem ser apontados para explicar a preferência do público pela televisão em detrimento do cinema. Aparelhos cada vez maiores e com melhor qualidade de imagem a um menor preço contribuem, o fato de uma entrada de cinema custar em torno de dez dólares (ou mais, dificilmente menos), também. No Brasil ainda podemos contar com a meia entrada estudantil, entre outros benefícios; nos Estados Unidos, a meia entrada fica a critério do cinema, que pode ofertá-la em apenas um dia da semana, ou definitivamente não tê-la.
Além do custo, o “ritual” de se assistir a algo em casa é diferente de no cinema. Em casa é possível tirar os sapatos, aumentar ou abaixar o volume, conversar ou atender o telefone durante programação. No entanto, o advento que revolucionou a televisão nos últimos anos foi a possibilidade de pausar a programação e recomeçá-la quando conveniente, como permitem alguns provedores de TV a cabo e sistemas como Netflix, Hulu e Amazon. Estes últimos saltaram mais um passo a frente: permitiram ao usuário escolher sua programação a seu bel-prazer, com milhares de filmes e seriados disponíveis sem a necessidade de se deslocar até a locadora ou depender da programação dos canais.
A mudança do formato, porém, não é a única responsável pela mudança do comportamento. O conteúdo dos programas de televisão, em especial os seriados, vem se tornando cada vez melhores e atraindo cada vez mais fãs que, com a possibilidade de assistirem a temporadas seguidas no Netflix, se tornam verdadeiros “viciados”.
O ritmo rápido das séries de TV, que apesar de se arrastarem por anos, temporada após temporada, ainda precisam apresentar em cada episódio um enredo com inicio, meio e fim, e com momentos de virada dramática e clímax, cativa o espectador. Enquanto um filme consiste em aproximadamente duas horas de uma única historia que ao terminar não permite ao espectador continuar seguindo aqueles personagens, a série de TV apresenta em cada episódio uma historia acabada, mas que pertence a um universo maior do que o que cabe em um filme, e que é construído de pedaços coletados aos poucos. A série de TV precisa cativar novamente o espectador e deixa-lo querendo mais a cada episódio, e isso requer um esforço extra que, quando bem-feito, é certamente apreciado.
Aaron Paul e Bryan Cranston em Breaking Bad, série que atingiu 10.3 milhões de espectadores em seu último episódio.
Intercâmbio entre Cinema e TV
Não são apenas os usuários que estão preferindo a televisão, muitos profissionais já renomados no cinema vem diversificando seu trabalho para abranger também a telinha. Entre eles temos Martin Scorsese, que é produtor de Boardwalk Empire, além de ter dirigido um episódio da série; Robert Rodriguez, que adaptou para a TV seu filme From Dusk Till Dawnem formato de série, e já fala também em uma versão seriada de Sin City; e os atores John Malkovich, atuando em Crossbones, Eva Green, em Penny Dreadful, e Halle Berry, em Extant, entre outros. Se antigamente ser um ator de televisão era considerado um trabalho de segunda categoria, esse pensamento com certeza está mudando.
No entanto, em se tratando de diversificar sua área de atuação ninguém bate Steven Spielberg. Adiantado, ele já vem empregando seu nome a produções televisivas há mais de vinte anos, tendo recentemente produzido The Pacific, United States of Tara, Smash, Falling Skies e Under the Dome, entre outros. O mais novo lançamento televisivo com a marca Steven Spielberg de produção é Red Band Society, um drama sobre a vida de adolescentes que vivem em um hospital, com estreia prevista para setembro nos EUA.
 Game of Thrones: o sucesso que trouxe milhares de assinantes à HBO.
Um pouco de matemática financeira ajuda a explicar o crescimento da televisão. Cada episódio de Game of Thrones, por exemplo, custa entre $6 e $10 milhões, o que deixa o custo por temporada na casa dos $100 milhões de dólares, o que é considerado altíssimo em termos de televisão. O orçamento de O Grande Gatsby (2013), de Baz Luhrmann, foi de $105 milhões de dólares, o que para Hollywood é considerado normal. Em se tratando de cinema, porém, ainda é preciso acrescentar os custos com marketing e distribuição, que para um filme desse escopo não ficam por menos de $50 milhões. Sendo assim, para ser lucrativo, O Grande Gatsbyprecisaria arrecadar mais de $150 milhões. O acordo dos estúdios com as cadeias de cinema gira em torno dos 50%, ou seja, metade do arrecadado em bilheteria fica para os cinemas, metade retorna para o estúdio. Para pagar seus custos de produção, portanto, o filme precisaria de uma bilheteria na casa dos $300 milhões. Acabou atingindo $350, o que a grosso modo significa um retorno de $25 milhões para o estúdio, que ainda precisa distribuir esse montante entre seus investidores.
A HBO, por outro lado, precisa conquistar e manter assinantes. Ao investir em uma programação de qualidade, da qual Game of Thrones é o seriado mais assistido, o canal conseguiu atingir a marca de 40 milhões de clientes, que pagam cerca de $10 dólares por mês pelo serviço, gerando um ganho mensal de $400 milhões de dólares. Custos operacionais e de marketing à parte, o fluxo de capital é imenso.
Por fazer parte dos canais chamados “prime cable”, a HBO é mais exceção do que regra, mas acaba servindo para ilustrar a tendência da produção televisiva americana: mais dinheiro investido e mais qualidade de programação. Os canais abertos dos EUA, como a CBS, que produz NCIS e Under the Dome, e a NBC, com Crossbones e Hannibal, estão buscando “qualidade HBO” para poderem competir com a TV a cabo. Amazon e Netflix também tem investido na criação de conteúdo original, priorizando o formato TV perante o formato filme.

Com uma dificuldade cada vez maior dos estúdios em recuperarem o dinheiro investido em filmes, e com as produtoras de televisão mirando em uma qualidade mais cinematográfica (em cenários, figurinos, atuação, iluminação, direção, etc), e recebendo um alto lucro como conseqüência, a industria do cinema se vê mais ameaçada pela televisão do que nunca. 

Comédias – temporadas 2013-2014

Fazer comédia é reconhecidamente difícil. O que é engraçado para uns não necessariamente o é para outros, e quando agradar a um vasto publico é essencial para o sucesso, o desafio aumenta. Justamente por isso que quando uma série nos faz dar aquela gargalhada aberta e genuína, sabemos imediatamente que ela é preciosa. Aqui vai a meu resumo do que foi mais precioso e vale a pena ser acompanhado (e o que vai deixar saudades) entre novatas e veteranas nessa mais recente leva de comédias.
As que surpreenderam
Mom – 1ª temporada
Christy (Anna Faris) é uma mãe solteira que trabalha como garçonete em um restaurante de luxo e luta contra o alcoolismo, frequentando reuniões de grupos de apoio para se manter sóbria. Após ter uma péssima infância graças à sua mãe também ter sido alcoólatra e viciada em drogas, Christy decide mudar sua vida para ser um melhor exemplo a seus filhos, Violet (Sadie Calvano) e Roscoe (Blake Garrett Rosenthal). Essa transformação é dificultada pelo retorno de sua mãe, Bonnie (Allison Janney), que também busca redimir seu passado.
Essa descrição parece se encaixar mais a um drama do que a uma comedia, mas acredite, Mom foi uma das séries que mais gerou risadas nessa temporada 2013/2014. A dinâmica de Anna Faris e Allison Janney é afiada, e o roteiro fornece às duas um material digno de seus talentos. As piadas caem frequentemente no humor negro. Compreensível, afinal, quando se quer rir de assuntos como alcoolismo, câncer e cadeia, piadas leves dificilmente acertam o alvo. Que venha a segunda temporada.
Allison Janney e Anna Faris interpretam mãe e filha em Mom
Brooklyn Nine-Nine – 1ª temporada
Mais uma nova queridinha na minha lista, que estreou já com um Globo de Ouro de melhor comédia e de melhor ator para Andy Samberg, que estrela como o detetive irreverente Jake Peralta. Não sei se a escolha do nome foi intencional, mas Jake é tudo o que a expressão em português “peralta” define. Apesar de gostar de fazer piadas e pegadinhas, Jake é um detetive competente, um dos melhor do distrito de polícia 99, no Brooklyn. Jake tem uma aposta com a colega Amy Santiago (Melissa Fumero) para ver qual deles consegue prender mais bandidos ate o final do ano. Se Amy perder, tera que sair com Jake no que ele promete que será “o pior encontro da vida dela”.
Outros destaques da série são Terry Crews, como o Sargento Terry Jeffords, e Stephanie Beatriz como a assustadora detetive Rosa Diaz.
Andy Samberg e Melissa Fumero como os detetives Peralta e Santiago.
As que mantiveram o pique
The Big Bang Theory – 7ª temporada
Apesar de não ter sido unanimidade entre os críticos em sua primeira temporada, The Big Bang Theory conquistou o coração dos fãs desde o início, se estabelecendo nas temporadas subsequentes não somente como um sucesso de público, mas como uma das melhores séries de comédia dos últimos tempos. Não é surpresa que a sétima temporada tenha mantido o padrão.
The Big Bang Theory tem agradado tanto que a CBS, em um gesto raro dentro do universo televisivo, se adiantou e já garantiu a renovação da série até a décima temporada.
Modern Family – 5ª temporada
Poucas séries são capazes de manter sua alta qualidade com tamanha maestria quanto Modern Family. Em sua quinta temporada, a sitcom teve como destaque o casamento de Cameron (Eric Stonestreet) e Mitchell (Jesse Tyler Ferguson), que pudemos acompanhar desde o estresse dos preparativos até o dramático dia da cerimônia.
The Middle – 5ª temporada
A família Heck passa por grandes mudanças nesse ano em que Axl (Charlie McDermott) se muda para a faculdade. Frankie (Patricia Heaton) precisa se adaptar a ausência do primogênito e ao novo emprego, enquanto Mike (Neil Flynn) continua… bem, Mike.
Essa quinta temporada foi especialmente bem construída. Ate mesmo Sue (Eden Sher), personagem que sempre considerei destratada por produtores e roteiristas, teve mais momentos de crescimento e dignidade do que na maioria das temporadas anteriores. O destaque, contudo, vai para Axl tentando reconquistar na faculdade o lugar de macho alpha que tinha no ensino médio, e para o épico episódio em que a família viaja para a Disney.
As que deixarão saudades
Raising Hope – 4ª temporada
A Fox decidiu cancelar Raising Hope após curtas quatro temporadas. Após a saída do criador Greg Garcia, a serie foi transferida para o horário de sexta-feira à noite, o que na televisão americana é considerado praticamente um suicídio. Enquanto no horário original de terça-feira Raising Hope conseguia manter uma audiência mais do que satisfatória, na sexta-feira à noite os índices despencaram. Isso ajuda a entender o porquê de a série ser cancelada em seu auge. Explica, mas não deixa os fãs menos tristes.
Nessa temporada pudemos acompanhar as loucuras da família Chance em sua forma mais criativa, em especial as situações envolvendo Virginia (Martha Plimpton) e Burt (Garret Dillahunt). Tivemos Burt criando sua própria moeda e descobrindo que ser prefeito de Natesville não é nada fácil, Virginia foi obrigada a se dar bem com sua prima Delilah e conseguiu uma promoção no emprego, e Jimmy e Sabrina re-encenaram o nascimento de Hope. A quarta temporada foi, sob vários aspectos, a melhor da série. Vai deixar saudades.
A família Chance se despede da TV na quarta temporada.

Parks and Recreation – 6ª temporada
Enquanto o final de Raising Hope foi súbito, a NBC decidiu dar a Parks and Recreationmais uma temporada para se despedir dos fãs, ou melhor, para que os fãs possam se despedir da série. Após um período de dúvidas, foi anunciado que a próxima será a sétima e última temporada da sitcomestrelada por Amy Pohler.
A sexta temporada conquistou um raro indice de 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, e mostrou, entre outras situações, a gravidez de Ann (Rashida Jones) e a luta de Leslie (Pohler) contra um recall eleitoral com o intuito de tirá-la do cargo de conselheira da cidade. As piadas quanto a absurdidade dos costumes de Pawnee e suas leis atrasadas, a rivalidade com Eagleton, as aventuras empreendedoras de Tom (Aziz Ansari) e a sabedoria máscula de Ron Swanson (Nick Offerman) continuam geniais. E no meio da temporada, com a saída de Rashida Jones e Rob Lowe, Retta e Jim O’Heir ganham mais espaço como Donna e Jerry. Merecido.
O último episódio revela o quão incerta era a renovação de Parks, que só foi decidida após o final da temporada. Com um especial de uma hora digno de series finale, os produtores se precaveram caso a série não fosse ao ar novamente. A pergunta que fica agora é: tendo a sexta temporada terminado com um salto de três anos no tempo e com um tom de encerramento, a partir de que ponto a sétima retomará? Os fãs de Leslie Knope e companhia estão ansiosos para a resposta, mas essa só vira em janeiro, já que a série agora foi escalada para a midseason, com número de episódios ainda não confirmado.  
Parks and Recreation se prepara para a sua sétima e última temporada.

A nova temporada de Masters of Sex – e mais alguns bons dramas “de época”

Masters of Sexfoi uma das melhores séries de 2013, baseada na história real de William Masters e Virginia Johnson, que iniciaram uma pesquisa pioneira sobre a sexualidade humana nos Estados Unidos em 1957, época em que o assunto era mais do que tabu. No elenco estão Michael Sheen como Dr. Masters, e Lizzy Caplan como Virginia Johnson, o que surpreendeu a todos que, como eu, não vinham acompanhando a carreira a atriz e tomaram um susto ao perceber que ela foi Janis em Mean Girls, dez anos atrás. Pois Lizzy cresceu, amadureceu, e está tão bem no papel de Virginia que sozinha já faria a série valer a pena. Felizmente, Masters of Sex tem outros fortes elementos em que se apoiar, especialmente o roteiro.

Lizzy Caplan: acima em Mean Girls, e depois como Virginia Johnson em Masters of Sex
Enquanto segue os percalços da transgressora pesquisa do Dr. Masters, a série aborda diversos temas que continuam muito atuais, dentro do ponto de vista da época, como homossexualidade e a posição da mulher na sociedade – como mãe solteira, trabalhadora, esposa. Os momentos dramáticos são intensos, especialmente os protagonizados pela genial Allison Janney e por Beau Bridges nos papéis de Margaret e Barton Scully. 
Enquanto a primeira temporada foi ao ar entre setembro e dezembro de 2013, a segunda temporada foi adiantada pelo Showtime e estréia nesse domingo, dia 13 de Julho. Vale a pena acompanhar. 

Manhattan

Também com estréia marcada para Julho, a nova série da WGN é ambientada em Los Alamos durante a II Guerra, onde o governo americano estabeleceu um laboratório secreto para dar continuidade às pesquisas que viriam a desenvolver a bomba atômica. Mais do que um laboratório, contudo, Los Alamos se transformou em uma cidade onde viviam cerca de seis mil pessoas, entre cientistas, suas esposas e filhos. 
Tudo em Los Alamos era altamente secreto, tanto que os cientistas não eram autorizados a revelarem a suas esposas o conteúdo de suas pesquisas. É um teste e tanto para qualquer casamento seguir o marido para uma cidade montada no meio do deserto, em que faltas de água e de luz eram comuns, sem saber exatamente o motivo. E para os homens não era menos difícil. Ter que lidar com o peso e as dúvidas morais de estar construindo uma arma de destruição em massa sem poder contar com o apoio das esposas não tem como ser fácil.
Entre segredos militares e a vida entediante em uma cidade no meio do nada, Manhattan promete ser uma boa mistura de ficção com realidade. Descobriremos dia 27.

Mad Men – última temporada

Mad Men dispensa introduções. A série sobre o mundo da publicidade estrelada por Jon Hamm chegou a sua sétima e última temporada esse ano, ainda que dividida em duas partes. O grand finale, sétima temporada parte II, irá ao ar somente em 2015, estendendo a reverência final da serie ganhadora de quatro Emmys de melhor drama. 
O sucesso de Mad Men com certeza impulsionou o interesse por dramas ambientados em 1950/60, e se hoje temos Masters of Sex e Manhattan, é em grande parte graças à Don Draper e companhia. A série vai deixar saudades, mas a AMC não está pronta para se despedir dos altos índices de audiência e do prestígio de sua programação de domingo à noite, e com certeza ainda será fonte de muita coisa boa. Ficamos no aguardo.

O Espetacular Homem-Aranha 2

Andrew Garfield e Emma Stone retornam como Peter Parker e Gwen Stacy no Blockbuster de verão que dá seqüência à franquia reiniciada em 2012.

Em meados de Maio a indústria cinematográfica entra no período dos lançamentos de verão, de acordo com o calendário dos EUA, em que os principais filmes de alto orçamento dos grandes estúdios são lançados. O formato é o mais formulaico possível: filmes com ação, comédia e romance na medida certa, e classificação indicativa livre para atrair desde crianças até adolescentes e seus pais.
Seguindo esse formato, O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Eletro busca obter a mesma aprovação da crítica e o mesmo sucesso nas bilheterias de seu precedente. Por enquanto, tem falhado na missão. Após uma abertura razoável, o filme sofreu com uma queda severa de público no mercado americano entre a primeira e segunda semana de exibição, e os números internacionais, apesar de nada desprezíveis, não correspondem às expectativas.
 A crítica também não tem sido amigável com Peter Parker e Cia., o Rotten Tomatoes, por exemplo, calculou apenas 53% avaliações positivas entre seus críticos gerais, contra os 73% do original. Resta investigar se as avaliações negativas se fundamentam em avaliações técnicas, ou gostos pessoais.
Andrew Garfield e Emma Stone retornam como Peter Parker e Gwen Stacy.
Efeitos especiais e clichês

Um clichê não é algo necessariamente ruim. Quando algo se torna clichê – seja uma cena no roteiro, um tipo de enquadramento ou um determinado efeito especial, – significa que deu certo mais de uma vez e que pode dar certo novamente, se bem utilizado. O problema começa quando um roteiro se apóia tanto em clichês que a história fica pesada e cansativa.
Os problemas de roteiro são denunciados logo no início do filme. Após uma seqüência de ação que revela os últimos momentos do desaparecido casal Parker – e em que Richard Parker (Campbell Scott) se mostra mais próximo de um Rambo do que de um cientista -, encontramos Peter como Homem-Aranha perseguindo bandidos pelas ruas de Nova Iorque. Ouve-se o rádio da polícia, que informa que os bandidos estão tentando roubar uma carga de plutônio radioativo. Está armado o terreno para o primeiro grande deslize do roteiro. Ao abrirem o compartimento onde estão armazenadas dezenas de cápsulas do tal plutônio radioativo, os bandidos (e consequentemente a platéia) são alertados por uma voz feminina vinda da máquina de que “o plutônio radioativo é altamente explosivo”. É evidente que as múltiplas cápsulas explosivas se transformarão em um desafio para o nosso herói, mas essa não é a questão. A questão é que uma das regras básicas de um bom roteiro é que tudo o que puder ser mostrado, ao invés de narrado, é mais eficiente, e a dupla informação, tanto o rádio da polícia quanto a voz do controle de segurança, acabam sendo cansativas e supérfluas.
A conclusão da cena não melhora a situação. Aparentemente, todas as viaturas da polícia estão em perseguição aos bandidos, e quando os primeiros da fila freiam, os que vêm atrás batem uns nos outros, ou seja, mais um clichê que já perdeu a graça. Estes são apenas alguns detalhes que denunciam um roteiro que não fornece um desenvolvimento satisfatório tanto para os dois vilões, Eletro (Jamie Foxx) e Duende Verde (Dane DeHaan), quanto para os heróis. Tia May (Sally Field), coitada, parece que foi jogada no filme de qualquer jeito somente para cumprir tabela.
Os efeitos especiais do filme são incríveis, mas é decepcionante que não haja um equilíbrio entre empolgantes cenas de ação e um bom roteiro, como outros filmes de super-heróis já conseguiram alcançar, mas esse Homem-Aranhadeixou – e muito – a desejar.