Curvas da vida

A parceria entre Robert Lorenz e Clint Eastwood data de, pelo menos, 1995, quando Lorenz foi o segundo-assistente de Eastwood na direção de As pontes de Madison. Desde então, Lorenz tem atuado ou como produtor, ou como primeiro-assistente nos filmes dirigidos por Eastwood.  A parceira agora dá mais um passo com Lorenz estreando na direção em Curvas da vida (Trouble with the curve). 
A partir deste breve histórico é fácil entender que o espectador entre na sala, assista ao filme inteiro, e somente no momento dos créditos finais perceba de que se trata de um filme com Clint Eastwood, não de Clint Eastwood, inclusive porque Curvas da vida apresenta diversas semelhanças com os últimos filmes em que o veterano ator aceitou aparecer em frente às câmeras: Menina de ouro (2004) e Gran Torino (2008).

Clint Eastewood e Amy Adams em cena de Curvas da vida.

 Curvas da vida apresenta a relação conturbada entre um olheiro de baseball profissional, Gus (Eastwood), e sua filha, a advogada workaholic Mickey (Amy Adams). Gus, já velho e quase cego por um problema de visão que teima em não tratar, não sabe se comunicar com a filha e confunde proteção com distância. Com dificuldades para abrir seus sentimentos, ele trata mais familiarmente os jogadores de seu time do que a própria filha. 

Chega a época de recrutamento de novos jogadores, e Gus deve escolher um novato para sair das categorias de base e subir à liga principal de baseball, em que seu time, os Bravos de Atlanta (Atlanta Braves), joga. Seu colega e amigo, Pete (John Goodman), não confia que Gus esteja bem para viajar sozinho e procura Mickey para alertá-la em relação ao estado de saúde de seu pai. Compelida pelo que ela mesma define como um “estranho sentimento de responsabilidade”, Mickey parte com ele em uma viagem pelos estados da Carolina do Norte e do Sul, onde os dois enfrentam seus problemas em meio a inúmeros jogos de baseball.

Mickey (Adams) e Johnny (Timberlake) param para ouvir um músico na rua. Oh, clichê, meu querido clichê.  

É impossível não associar o Gus de Eastwood com suas interpretações anteriores de velhos carrancudos, teimosos e orgulhosos, mas de bom coração. Em comparação a Menina de ouro (2004) e a Gran Torino (2008), porém, Curvas da vida é consideravelmente mais leve, fazendo desvios ora em direção ao trauma    da filha que se sente abandonada pelo pai, ora em direção ao relacionamento entre Mickey e Johnny (Justin Timberlake), momento em que o filme derrapa perigosamente em uma trilha de clichês de comédia romântica e, após algumas capotagens, o argumento central volta um pouco desorientado, sem saber exatamente a quê veio.

Assim, a solução final fica um pouco atropelada, e algumas das questões chave do enredo acabam sem solução. Gus tem glaucoma? Vai ficar cego, afinal? Ninguém liga, já que o casal jovem e fofo acaba de se reconciliar em um final no melhor estilo “felizes para sempre”.

Apesar dos pesares – e dos clichês -, o filme tem seus bons momentos, que são potencializados pelas ótimas atuações de um elenco consistente. 

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