25/05, dia de cinema brasileiro – parte 3

On the Road.

Baseado no livro homônimo do americano Jack Kerouac, On the Road (Na estrada) fala sobre a jovem geração de 1950 nos Estados Unidos. Protagonizado por atores americanos, o pouco que tem de brasileiro é a presença de Walter Salles como diretor e a co-produção do filme, dividida entre Brasil e França.
Considerado o “pai” da beat generation, Kerouac se insere na história através do personagem fictício Sal Paradise (Sam Riley), que atravessa os Estados Unidos de leste a oeste mais de uma vez. Sua amizade com o inconstante Dean Moriarty (Garret Hedlund) é o centro do enredo.
Em busca de uma adaptação.

Considerado inadaptável, o livro passou por diversas mãos até chagar a Salles. Visto como uma excelente fonte de inspiração, apesar de seu conteúdo denso, On the Road foi encarado como potencial filme desde seu lançamento, em 1957. Após arrepender-se de recusar uma oferta da Warner Bros., o próprio Kerouac chegou a enviar uma carta oferecendo o papel de Dean Moriarty a Marlon Brando, e urgindo ao ator que comprasse os direitos do livro. Carta a qual não obteve resposta.
Já no final da década de 1970, Coppola adquiriu os diretos, mas encontrou-se sem o financiamento necessário para o filme, e o projeto acabou na gaveta. Ao conhecer o trabalho de Walter Salles em Diários de Motocicleta (2004), Coppola o chamou para uma reunião e o projeto voltou à tona. Sentindo-se deslocado do contexto norte-americano descrito na história, Salles iniciou sua própria jornada pelos lugares mencionados no livro, registrando tudo em um documentário a ser lançado após a chegada do próprio filme ao cinema.
O roteirista de Diários de Motocicleta, José Riviera, foi o encarregado da adaptação. Buscando material não somente no livro publicado, como também nos manuscritos de Kerouac, ele finalmente atingiu uma versão satisfatória.
Os processos de elaboração do roteiro, de seleção dos atores e de negociação do orçamento foram longos, mas em 2010 finalmente todas as peças se encaixaram e as filmagens puderam começar, sob uma carga de mais de 50 anos de expectativas.
A opressão do papel em branco VSa infinidade de possibilidades de uma estrada vazia.

Aspirante a escritor, Sal Paradise não sabe sobre o que escrever. Ele se vê estagnado diante de sua máquina de escrever que comporta uma folha de papel em branco sem uma linha escrita sequer. Quando conhece Dean Moriarty e seu espírito inquieto, Sal decide imitá-lo e partir em sua própria viagem pelo interior dos Estados Unidos.
Sal Paradise (Sam Riley) com o amigo Dean Moriarty (Garret  Hedlun): a juventude na estrada.
A busca de Sal e Dean por novas experiências, novos lugares, é, ao mesmo tempo, uma expressão de sua inquietação e uma busca por criatividade. Oprimido pelo papel em branco, Sal encontra na vastidão da estrada uma infinidade de possibilidades. Viajando, conhece as mais diversas realidades. Participa de festas e, quando o dinheiro aperta, trabalha na colheita do algodão.
Assim, ele vê com os próprios olhos os Estados Unidos que passam longe dos olhos dos garotos da cidade. É um país de viajantes, trabalhadores, imigrantes. Ao contrário de Diários de Motocicleta, em que Ernesto Guevara (Gael Garcia Bernal), o futuro Che, e seu amigo Alberto Granado (Rodrigo de La Serna) conhecem a realidade da América Latina e formam uma consciência em relação a seus problemas, em On the Road a única consciência que Sal forma (se é que chega a formar alguma) é sobre si próprio. Mais interessado em participar de festas e sentir-se livre do que em ajudar aos menos afortunados, sua personalidade só não é tão egoísta quanto a de seu amigo Dean.
A busca dos dois não chega a ser uma busca por um propósito, ou por um lugar no mundo. Trata-se apenas da evasão pela evasão. Dean até “procura” por seu pai, mas a busca é tão vaga que chega a ser insignificante. Ainda assim, esse “espírito de liberdade”, essa inadequação a uma vida fixa, é o componente que mais faz sentido em todo o filme.
Sexo e drogas na estrada infinita.

Além de viajar, pedindo carona e roubando comida e gasolina no caminho, o que os jovens mais fazem é beber, usar drogas e transar. Até o ponto em que tudo fica extremamente tedioso e repetitivo.
Kristen Stewart como a sexy Marylou
Marylou, interpretada com surpreendente competência por Kristen Stewart, é a protagonista de praticamente todas as cenas de sexo. Sim, os jovens do filme estão vivendo em uma louca estrada de experimentação, que além da bebida e das drogas, envolve o sexo. Mas as cenas que reúnem esses três componentes acabam sendo tão repetitivas que dão a impressão de que os personagens estão vivendo em um looping. A estrada deixa de ser reta e passa a ser circular.
Um filme esmagado pela expectativa.
O resultado de On the Road, em geral, não empolgou a crítica. Apesar de muito bem executado tecnicamente, faltou-lhe um quê, um algo a mais que os fãs do livro visivelmente encontraram na prosa, mas que não está na película. Adaptações nunca são fáceis, mas esta certamente teve sua dificuldade dobrada por toda a expectativa nela depositada.
Recheado com belos planos, boas interpretações e uma fotografia envolvente, On the Road não é nem de longe um filme ruim, mas com certeza seria um filme muito melhor se não houvesse um livro homônimo lhe fazendo sombra. 
Mais sobre o processo de adaptação de On the Road aqui
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