O triunfo de George Clooney

Os Descendentes já está e cartaz nos cinemas brasileiros há um tempo, mas sua aclamação pela crítica norte-americana, seus Globos de Ouro (melhor filme de drama e melhor ator em filme de drama) e suas indicações ao Oscar (que somam 5) garantem-lhe um espaço prolongado na programação. Baseado no livro homônimo de Kaui Hart Hemmings, Os descendentes é dirigido por Alexander Paine (conhecido por Sideways e Confissões de Schmidt). Situado no Havaí, tanto enredo quanto fotografia e direção contrastam o paraíso das praias com a vida humana e suas doses de desespero e felicidade, encontrada sempre nos simples momentos de união.
Clooney como Matt King: a busca pelo ponto de equilíbrio.
Na trama, George Clooney é Matt King, e o sobrenome não vem à toa. Ele faz parte de uma família que herdou o maior terreno ainda virgem do Havaí, e é o responsável legal pela terra, ainda que a divida com um sem-número de primos. Apesar de ter herdado uma fortuna, Matt trabalha em um escritório modestamente decorado, provendo à sua família a partir do salário de advogado que recebe (que não parece pouco), sem utilizar seus milhões herdados com luxos, ou com qualquer coisa que seja.  Seu objetivo em ter uma vida modesta (mesmo morando em uma casa enorme com piscina e dirigindo um carrão) é o de educar as filhas para que façam algo da vida, missão em que falha visivelmente. Scottie (Amara Miller), a mais nova, é uma jovem bully que constrange a colegas de classe. A mais velha, Alexandra (Shailene Woodley), está internada em uma clínica de reabilitação para adolescentes, gentilmente chamada pela família de “escola”.
Quando Elizabeth (Patricia Hastie), esposa de Matt, sofre um acidente e entra em coma, é seu dever como pai se reconectar com suas filhas e dar-lhes a orientação necessária para lidar com este momento de dor.  Matt, porém, não sabe nem ao menos que dia o “cara da piscina” costuma aparecer para limpar a sua.
Se o fato de terem uma pessoa querida em coma não é suficiente para uni-los, a revelação de que Elizabeth estava tendo um caso extra-conjugal os une em torno do objetivo de descobrir quem era o amante e encontrá-lo. Um modo estranho de criar laços entre pais e filhos, sem dúvidas, mas na falta de outros pontos em comum, esta tábua de salvação é a única em que podem se agarrar todos ao mesmo tempo.
Matt (Clooney) e a filha Alexandra (Woodley): a busca pela união.
Apesar do drama que o filme retrata, são as situações cômicas (ou tentativas de) que se destacam, gerando quase um humor negro perverso, como na cena em que Elizabeth, já descarnada e à beira da morte, tem de “ouvir” o marido descarregar todas as suas frustrações e em seguida despedir-se terna e amorosamente.

Os Descendentes pode ser definido de muitas formas: um pai que tenta se reaproximar de suas filhas, ou um dono de terras diante de uma difícil decisão, mas o que chama a atenção é como a vida de uma pessoa tem muitas facetas, mistérios, e como alguém pode ser tanto odiado por seus deslizes quanto amado por seus momentos de grandeza.

 Os Descendentes pode não ser o favorito ao Oscar de melhor filme, mas tem grandes chances de ver George Clooney premiado como melhor ator. Ele está fantástico, compondo perfeitamente as inseguranças do personagem enquanto este busca reencontrar o ponto de equilíbrio de sua vida. 
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