O relançamento de um clássico.

Há muitas coisas que me lembro do ano de 1994. Apesar de ter apenas 4 anos de idade, me lembro de acontecimentos marcantes como a morte de Airton Senna e a conquista do tetracampeonato mundial pela seleção brasileira de futebol. Lembro-me também do primeiro filme que assisti em uma sala de cinema: O Rei Leão. Dezessete anos depois, a Disney relança essa mágica animação em uma versão 3D nas salas de todo o país.

O filme é o mesmo, com a mesmíssima dublagem original, o que é muito bom – afinal, quem não ama a voz maldosa de Scar, dublado por Jorgeh Ramos, ou a força e a imponência que Paulo Flores traz à Mufasa? Em resumo, fora os efeitos 3D, a Disney não inventou mais nada. Na verdade, o relançamento desse clássico foi, a meu ver, muito mal trabalhado pela empresa.

Primeiro, esperar por 2014 para lançar uma edição comemorativa dos 20 anos, com cenas extras (pós-créditos mesmo, pois o filme em si pode acabar prejudicado com a inclusão de planos) seria muito mais interessante comercialmente. Além disso, deveria ser disponibilizada também a versão em 2D.

Estratégias de marketing à parte, O Rei Leão 3D tem levado muitos fãs crescidos ao cinema, atraídos em grande parte pela emoção de rever um de seus filmes favoritos na telona. Os efeitos de conversão do filme para três dimensões não são lá muito impressionantes, as cores reforçadas, sim, provocam um espetáculo mais interessante.

O filme é visualmente muito bonito. As cores do nascer e do pôr-do-sol são magníficas. A abertura impactante com a marcha dos animais rumo à pedra do rei, acompanhada pela música intensa continua maravilhosa mesmo após dezessete anos de sua concepção. O corte abrupto da música para a entrada do crédito de fundo negro e letras vermelhas com o título do filme é cinematograficamente muito inteligente. As músicas de Elton John são lindas e harmonizam perfeitamente com o transcorrer da trama. O Rei Leão é uma das melhores criações dos estúdios Disney, sem dúvidas.

Vale destacar a temática principal da história como grande atrativo para ir e levar as crianças ao cinema: é importante seguir em frente após uma tragédia, sem se esquecer da importância das pessoas que se foram. Simba, futuro rei leão, presencia a morte do atual rei e seu pai, Mufasa. Não consigo me lembrar de nenhum outro filme infantil recente que aborde uma situação de perda tão trágica. (Talvez a sequencia inicial de UP!, mas só). “O ciclo da vida”, explicado por Mufasa à Simba, é uma lição bonita, um modo poético de aproximar as crianças do mundo adulto e da realidade de que todos um dia se vão. E não, não é cruel mostrar aos pequenos essa realidade, não da forma como aparece no filme. Trata-se de ensinar-los a amadurecer e de acreditar que eles são seres inteligentes com capacidade para absorver tramas muito mais complexas do que apenas piadas bobas ou gags visuais.

Seguindo o famoso slogan hollywoodiano, O Rei Leão é um “filme para toda a família”, mesmo. Incluindo-se fãs crescidos, pais e crianças que vão conhecê-lo pela primeira vez.

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