Sobre provocar

Vagando pelo youtube, tropecei em um teaser de Kung Fu Panda 2. O filme está previsto, pelo o que eu entendi, para estrear dia 26 de maio nos EUA. A primeira animação da série apresentou uma direção de arte exuberante e encantadora, além de um roteiro muito divertido, e estou apostando que a sequência não deixará a desejar. Mas o que me motivou realmente a falar sobre esse teaser foi a criatividade apresentada nele. Em um universo cinematográfico em que os trailers cada vez contam mais e mais o que se passa nos filmes, os teasers de cerca de 30 segundos tem se mostrado uma ótima opção para incitar o espectador de forma muito criativa sem contar nada, principalmente nas animações. E exemplos não faltam. Temos: Meu malvado favorito e Up!, com dois dos mais recentes.

Incitar a curiosidade do público sem revelar detalhes da trama e sem “gastar” as melhores cenas nos trailers não precisa, porém, ser feito em um espaço tão curto quanto 30 segundos. Foi isso que a Pixar provou com os teasers de Toy Story 3 como este:

Às vezes, os conceitos de “teaser” e “trailer” se confundem. Ambos são formas de dilvulgação, e a própria Wikipedia define o trailer como sendo um teaser, já que ambos tem a funcão de provocar o espectador, deixá-lo curioso e ansioso em relação ao filme. A diferença entre eles, contudo, foi convencionada pelo mercado.

O trailer, por ser um formato mais antigo, já consagrado por décadas de produção cinematográfica, ficou definido como um conjunto de determinadas cenas de um filme com falas impactantes, que apresentam os personagens principais e o conflito, pelo menos em linhas gerais. Essa técnica foi refinada ao longo dos anos, até chegarmos ao conjunto de cenas picadas, apenas pouquíssimos segundos de ação editados em formato de videoclip que compõem a maioria dos trailers de hoje.

Sim, eu reclamo que muitos trailers atuais apresentam cenas que não estão no filme, como aconteceu com o King Kong de Peter Jackson, em que a fala “scream for your life” do personagem de Jack Black não está no filme. E reclamo que alguns revelam muito da história, mas isso é porque eu prefiro saber o mínimo possível sobre o enredo antes de assisti-lo. Gosto de trailers provocativos, não reveladores. Anos atrás, porém, havia trailers que não só revelavam a história quase que toda, como mostravam o final. Esse é o caso de Breakfast at Tiffany’s, de 1961. Repare a diferença de estilo. Há um narrador que convida o espectador a assistir ao filme. Naquela época, fazer o trailer de um filme não era uma arte muito diferente do que fazer uma propaganda de sabão em pó.

Quanto ao teaser, este ficou conhecido como uma propaganda mais curta do que o trailer, composto geralmente por uma cena única, que não pertence ao filme, mas que é completa em si mesma. É algo utilizado para deixar todo mundo se perguntando “o que é isso?”. Quem assiste a essas propagandas geralmente decora o nome do filme a que ela se refere. Faça o teste você mesmo. Esses conceitos com certeza não são rígidos, e inovações são (quase) sempre bem vindas. Um exemplo muito legal foi a paródia que a Disney fez com um vídeo hit do youtube chamado “Double rainbow”. O teaser para Enrolados foi chamado de “Double Tower”. Eu não tenho certeza, mas acho que foi divulgado somente na internet.

É claro que esse tipo de coisa é muito mais fácil de ser feita com animações, mas as demais produções poderiam, ainda assim, inspirar-se nesses exemplos para criar formas inovadoras de divulgação. Na pior das hipóteses, é um desafio interessante. Por fim, o teaser de Kung Fu Panda 2 que inspirou todo esse discurso:

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