Skins US: mais erros do que acertos

A série televisiva Skins faz o maior sucesso no Reino Unido, assim como em vários outros países. Pensando nisso, a MTV decidiu produzir uma versão americana da série, no meu ponto de vista, por basicamente três motivos: porque os americanos, apesar de serem a “fonte” de toda a globalização, gostam das coisas do jeito deles, não gostam de nenhum outro sotaque que não seja o deles, e gostam de dar uma adaptada no conteúdo das coisas para encaixá-las em seus padrões morais, mesmo em séries que se propõem a tratar de temas pesados, como Skins. Um exemplo bem evidente: os palavrões, muito usados na versão britânica, são bipados pela MTV.

Talvez não seja justo comparar as duas versões, já que a americana pode até ser agradável a quem nunca assistiu a nenhuma outra, mas o propósito deste post não é ser justo em relação à iniciativa da MTV, mas sim fazer justiça aos fãs de Skins. Ou seja, eu comparo MESMO.



O elenco da versão americana de Skins

Então vamos direto ao maior e principal erro da MTV: adaptar a primeira temporada . Não que teria ficado melhor se outra temporada fosse a escolhida, não, o problema é com a adaptação. Pegar a mesma história básica da versão original, incluindo a refilmagem de algumas cenas e falas exatamente iguais, não foi uma boa idéia. O mundo teria muito mais a ganhar com uma temporada americana totalmente inédita de Skins do que com essa refilmagem piorada que está no ar.

Tony e Michelle continuam basicamente os mesmos. Até agora, já que só saíram 5 episódios. Sid virou Stanley, um garoto muito mais mané do que o original, e com um cabelo tapando um dos olhos de dar nos nervos. Acho que tenho que me corrigir aqui, Sid não é mané, é só um cara distraído e sem-jeito, o que contrasta fortemente com a imagem do Tony bonzão e malandro. Stanley, por sua vez, vive momentos de completa babaquice. Cadie, versão americana de Cassie, é uma garota meio sombria. Enquanto Cassie é uma garota que vive no mundo da lua e tem alguns problemas psicológicos, mas ainda assim traz certa leveza e luz, Cadie parece uma personagem esquisita, saída diretamente de um filme de terror tipo B.

Uma personagem que até agora apareceu muito pouco foi a irmã do Tony, que se chama Eura. Pelo que pude ver, contudo, não chega aos pés de Effy. Sinceramente, ela parece muito mais com a Pandora com essas Maria-chiquinhas do que com a bad ass Effy.



Essa era pra ser a Effy? Sério mesmo?

A intenção dos produtores obviamente foi a de fazer um Chris igual AO Chris. Acontece que Jesse Carere simplesmente não tem o talento de Joe Dempsie. O episódio número 3, dedicado a Chris, é exemplo de um grande erro por parte dos produtores, o de colocar atores diferentes para realizar cenas já consagradas pelos fãs, já que o episódio é um dos mais parecidos com o original ate agora, com cenas inteiras refilmadas. Não adianta, não dá pra aceitar atores diferentes – e de um modo geral pouco competentes – interpretando personagens tão geniais quanto os de Bryan Elsley e Jamie Brittain. Eles deixam de serem assim tão geniais.

E é justamente aí que está o atrativo de Tea. Interpretada por Sofia Black D’Elia, é uma personagem lésbica criada para substituir o gay Maxxie. Por ser uma personagem inteiramente nova, ela é muito diferente de seu equivalente original, o que a faz mais interessante do que seus companheiros de cena. Assim como Maxxie, ela é uma garota confiante, mas ao contrário dele, ainda não assumiu sua homossexualidade para a família. O episódio dedicado a ela é o de número 2, e com certeza o melhor até agora.



Tea: melhor, porque original

A atração de Tony por Maxxie se repete com Tony dando em cima de Tea. A insistência dele para que ela confesse ter “sentido alguma coisa” quando os dois transam é que eu não sei se interpretei muito bem. Não sei se se trata de uma indignação do “garanhão” Tony por existir uma garota que não se sinta atraída por ele, ou se ele está realmente apaixonado por ela. De qualquer forma, ficou pra mim uma impressão de machismo na história, me lembrou aquela velha bobagem de que “ela só é lésbica por que não encontrou um homem de verdade ainda”. O que é claro, é puro nonsense. Não sei se foi isso que os roteiristas quiseram transmitir, mas de uma coisa eu tenho certeza: um garoto que se diz heterossexual, com namorada, se sentir atraído por outra garota (Tony e Tea, em Skins US) é muito mais fácil de ser aceito pela sociedade americana do que se ele fosse atraído por outro garoto, homossexual assumido (Tony e Maxxie, em Skins). Daí trocar Maxxie por Tea.

Machismo ou não, a MTV deveria ter feito com todo o resto das personagens o que fez com Tea: criado algo novo. Quando o roteiro deixa de copiar cenas e falas do original para se aventurar em terrenos inéditos é que a série tem seus bons momentos. Quando não, só o que você consegue pensar é “Joe Dempsie faz isso muito melhor”.

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