Na velocidade da web.

Fazer um filme sobre uma invenção recente é a cara do século XXI, época em que o “rápido” já está se tornando uma velocidade ultrapassada. Em A rede social (The social network), o diretor David Fincher imprime ao filme exatamente a velocidade segundo a qual o mundo gira atualmente: a velocidade da internet.

O Facebook foi criado em 2004, por Mark Zuckerberg. Originalmente, era exclusivo para alunos de Harvard. Hoje, possui mais de 50 milhões de usuários. O filme reflete a velocidade dos acontecimentos que originaram a rede, com cena ágeis e cortes rápidos. As falas, principalmente de Zuckerberg, interpretado pelo excelente Jesse Eisenberg, são tão rápidas que chegam a ser difíceis de acompanhar. Oscilando entre as cenas de dois diferentes processos judiciais no presente, e cenas sobre o passado a que os processos se referem, o filme prende a atenção do início ao fim.

A história da criação do Facebook é muito conturbada, e ao contá-la, A rede social pisa nos calos de muita gente, mas o principal alvo é Zuckerberg, cuja imagem chega muito próxima a de um babaca completo. Ele freqüentemente ofende as pessoas por dizer tudo o que pensa, deixa seu melhor amigo e financiador de lado e ignora os colegas com quem anteriormente havia firmado um compromisso.

Andrew Garfield como o certinho Eduardo Saverin e Jesse Eisenberg como o nerd Mark Zuckerberg.

Personagens lineares, só bons ou só maus, foram muito usados no início do cinema, principalmente em melodramas moralizantes. De lá pra cá essa configuração ficou chata, e os personagens circulares, complexos, que praticam tanto boas quanto más ações tornaram-se majoritários. Em A rede social, porém, os personagens chegam perto de serem lineares. Quando parece que Mark Zuckerberg vai deixar de ser um babaca egocêntrico para fazer algo legal pelos amigos, a esperança do espectador cai por terra com outra frase de desprezo despejada sem pensar. Já Eduardo Saverin (Andrew Garfield) fica mais como o coitadinho ingênuo, enquanto que os gêmeos Winklevoss (Armie Hammer) parecem simplesmente otários. Com tudo o que acontece no filme, fica difícil entender quem fez o que e quem tem direito a que na criação do Facebook, mas os rumos levam à conclusão de Zuckerberg é o vilão da história, e nem mesmo a insinuação de que tudo o que ele fez foi por causa de uma garota ameniza essa impressão.

Pode ser difícil entender as motivações desses personagens, mas observá-los agir dá o que pensar. Por serem retratos de pessoas reais, sua natureza humana prende ainda mais a atenção. Ir ao cinema com o intuito de julgá-los, porém, é perda de tempo. Mais vale se impressionar com a intricada rede de relações sociais que só nos lembra como as interações via web são tão mais simples do que as dos mundo real.

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